coruja
dom 08

O gol que poderia ter sido

setembro 2013

Em tempos de Copa tupiniquim, tinha até vergonha de dizer. Nunca tinha pisado num estádio de futebol, nem mesmo como jornalista A estreia tinha que ser emocionante como tudo que move a paixão dos brasileiros. Nos primeiros lances, entrou em campo sem dominar a bola. O olhar míope se espremia para enxergar os lances de onde estava. Mal conseguia ver o placar em letras garrafais. Como a cabine de imprensa podia ser tão longe do gramado? O ouvido permanecia ligado nas ondas do rádio, na tentativa de acompanhar a velocidade com que falavam os locutores. Eles traduziam a movimentação dos minúsculos jogadores à sua frente. Na disputa, nenhum clássico. Apenas o time da cidade. Tupi x Aparecidense pela série D. Mas não era uma partida qualquer. Valia vaga na próxima fase. No gol decisivo, aos 44 do segundo tempo, o inesperado.

O artilheiro chuta. E eis que surge ele: um goleiro que não estava escalado. O massagista do time de Goiás defende pelo time. Ou tenta defender. Em milésimos de segundos, jogadores, comissão técnica e até alguns torcedores invadem o campo e disparam em direção ao responsável pelo polêmico lance. Ele foge, claro. Confusão instaurada, a pergunta: a bola entrou? Mesmo com ele ali, foi gol do Carijó? Ao rever as imagens em HD, alguns diziam que sim. Não dá para ter certeza. O estrago estava feito. A revolta podia ser sentida nas lágrimas dos torcedores apaixonados pelo time mineiro. Jogo interrompido por mais de 20 minutos. Nada. O juíz apita de novo e os pés dos jogadores do Tupi pareciam ter sido tomados pela sensação de injustiça. Eles tentam, em vão, recuperar o gol. O placar se manteve em 2 x 2, resultado que classificou o Aparecidense para as quartas de final pelo critério de gols marcados fora de casa.

A jornalista de estreia no futebol viu tudo. Correu para o gramado – não atrás do massagista, que posteriormente disse à imprensa ter feito isso por amor ao time – ouviu torcedores jurando morte ao infeliz e fez hora extra. Nada além disso, se não fosse o coração apertado, que disparou e sentiu a cada bola na trave. A cada quase. Só não tinha se preparado para um quase tão intenso. Para o gol que poderia ter sido. E não foi.

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Postado por Laila Hallack às 15:16

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dom 16

Texto

dezembro 2012

Acabo de abrir um arquivo no meu computador. O título? Texto. Dividido em números são trechos de alguma coisa que não lembro quando comecei a escrever. Está inacabado, não faz muito sentido. Não são capítulos, mas decidi dividir por aqui.

****

1. Tive a impressão de que os poucos minutos que se passaram tinham durado uma eternidade. Mentira, apenas senti que eles tinham se prolongado por demais. Digitei meia dúzia de palavras, que foram deletadas imediatamente. Fiz isso muitas vezes. Como em um filme, e perdoem minha mania de comparar minha vida sem graça com cenas e roteiros clichês, um silêncio lentamente tomou o quarto. Em câmera lenta mesmo. Só conseguia ouvir o barulho do teclado e a respiração ofegante de quem passou a última semana tossindo nervosamente. Não conseguia pensar em nada. Sem lamentações sobre mais um romance que acabou mal, nem inspiração para falar coisas bonitas sobre um tema qualquer, precisei digitar o que estava pensando. Ou parte do que se passava na minha cabeça.

Em apenas 24 anos, perdi a poesia que existia dentro de mim. Deletei essa frase algumas vezes. Não sei se consegue revelar o que, finalmente, consegui descobrir depois de tanto tempo. Volto ao começo de tudo para mostrar o fim de uma escritora que não chegou a se tornar o que poderia ter sido. E não, não faço uma biografia, pois a história que conto não tem grandes feitos e a pessoa aqui retratada é quase uma zé ninguém se não fossem as surpresas que o destino pregou nela. Ou em mim. Não faço romance, nem outro gênero que possa gerar em você alguma expectativa. Após passar os longos minutos à espera de um pontapé, não posso mais parar. Escrevo até onde puder. Espero que leia.

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Postado por Laila Hallack às 23:24

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dom 29

Aos não celíacos

julho 2012

A história é sempre a mesma. Numa mesa de bar ou em qualquer lugar, quando descobrem que não posso com glúten, surgem as mesmas dúvidas. Não fomos educados para saber que p$#%* é essa! Mas para economizar as mil explicações que preciso repetir toda santa vez, resolvi fazer um post especial para os não celíacos. Você, amigo, que por curiosidade fica cheio de interrogação sobre o assunto, sinta-se à vontade para perguntar o que quiser! Não sou especialista e provavelmente devo soltar alguma abobrinha. Me baseio exclusivamente na minha recente experiência, combinado?

Glúten, who?

Glúten é a proteína presente no trigo, por isso tudo que tem farinha de trigo, cevada e por aí vai é estritamente restrito na dieta do celíaco. E, sim, isso inclui a cervejinha, além do pão nosso de cada dia.

A doença

Médicos que não me leiam, mas tentarei explicar da maneira como entendi. Os celíacos não toleram o glúten, por isso o corpo reage, os anticorpos sentem que tem glúten na parada e já começam a agir. O intestino, que é cheio de voltinha (imagina o desenho do caderno de biologia da escola), vai perdendo isso. Daí diminui a capacidade dele absorver nutrientes, água… Dizem que há celíacos que perdem cabelo, emagrecem, tem anemia. Por sorte, não cheguei a nada disso. E há a chance de desenvolver outras doenças – dá um google aí que to com preguiça de entrar em detalhes.

Sintomas

Muito parecidos com outras doenças como intestino irritável, os sintomas incluem sentir um puta inchaço na barriga logo depois de comer. Tipo, matou um pratinho leve de macarrão e tem a sensação de ter encarado muito mais.

Só um pedacinho, vai!

É o que você vai dizer para mim. Se eu dar aquela mordidinha no bolo, na hora, nada acontece. Tá, alguma dorzinha de barriga pode pintar sim  (pois é, falar da doença é meio indelicado, eu sei). O problema será no futuro. É uma doença preocupante nesse sentido – tenho que cuidar para evitar complicações depois.

Mas tudo tem glúten!

É o que você vai dizer também. Essa é a número um das frases que mais escuto. Sim, praticamente tudo tem glúten. Ou não. Os produtos industrializados, os salgadinhos… e as comidas servidas em eventos sociais, quase todos levam glúten. Mas frutas, carnes, arroz, batata, sorvetes, Kinder Ovo, vodcas, vinhos e milhares de outras coisas podem entrar no cardápio de um celíaco. A lista é grande, eu juro! E surpreendente.

NÃO CONTÉM GLÚTEN

No Brasil, temos uma lei e todas as embalagens detalham a presença do glúten. Pode reparar (e rir), até na água tem escrito! Meu olho já está treinado e logo encontro as palavrinhas que me dão alegria ou… decepção. Sempre solto um sorriso de muita felicidade quando alguma coisa super saborosa é gluten free!!

Para informações mais corretas, dá uma visitada no site da Associação dos Celíacos do Brasil.

E ah, não precisa ter pena, nem achar que a vida de um celíaco é tipo… insuportável. Tem a parte chata, mas dá para lidar com muito bom humor. Sempre!

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Postado por Laila Hallack às 12:23

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dom 24

Weekend

junho 2012

Um dia só é muito pouco. Insuficiente para conseguir aliviar a tensão acumulada em ombros tão curvados. É tempo que não dá para viver tudo o que se perdeu nos dias dedicados a um trabalho burocrático e mal remunerado. Cansado como um cão, perde parte das poucas horas que tem dormindo um sono injusto. Pesado. Sem sonhos, nem pesadelos. Literalmente, o corpo desliga. Ligada, só permanece a TV que resmunga baixinho a voz de um apresentador de auditório. E a cabeça, de tão cheia, se esvazia. Metade do que lhe sobra, ocupa com as visitas marcadas pela família que nem quer saber dele. Beberica a cerveja quente servida por um primo inconveniente, que desce quadrada, assim como as piadas sem graça e as cobranças feitas pelos parentes que só fazem tirar vantagem uns dos outros. À noite, decide se libertar. Recuperar a juventude escondida debaixo do terno e da gravata mal passados. Reencontra velhos amigos, bebe mais um pouco. Exagera na dose. Faz o que bem entende. Acorda no outro dia com a boca seca, a cabeça ainda mais pesada. Esforça para lembrar do que se passou. Se arrepende de tudo que falou, da ligação feita para a ex, do beijo roubado numa mulher qualquer, dos trocados desperdiçados na entrada da boate, dos trocados desperdiçados com as bebidas superfaturadas da boate, dos trocados desperdiçados na maldita boate. Abre a janela e o sol da tarde arde direto em seus olhos. Sou um babaca, pensa ao ver no espelho a olheira ainda mais profunda. Vinte e poucos anos, mais uma ressaca moral. Não descansou, nem sequer se  divertiu. Em poucas horas, tudo começaria de novo. E ele precisaria esperar o fim de semana programado para outra busca frustrada. O que procurava? Não sabe dizer. Um dia só é muito pouco para descobrir. Weekend. Ou, só o end.

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Postado por Laila Hallack às 23:01

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dom 03

Alma

junho 2012

A alma daquele rapaz, se é que existe essa coisa que chamam de alma, andava meio frustrada. Costumava ter apreço pela poesia, transbordava magia e cultuava uma pura crença no seu poder. Acuada, coitada, agora só fazia resmungar. Lamentava estar aprisionada num corpo metido nessa cínica seriedade que fazem da vida. Perdera a mania que tinha de se comportar como uma criança levada. Ainda com poucos anos de vida marcados no calendário, envelheceu e viu sua juventude, tão fascinante que era, voar para bem longe. Para onde não conseguia mais ir. Essa alma, danada, descontente de ver renegada sua essência, ofendida pelo impiedoso destino que lhe acometera, tinha decidido se vingar. Corroeu o estômago, tirou o sono do moço, provocou incontáveis alergias. Sem dó nem piedade, fez seu corpo de gato e sapato. O colocou na cama. Insultada por ter sido deixada de lado, provocou o que de pior poderia. Já sem forças, o corpo tentou de tudo. Doutores, remédios e soluções milagrosas que não passavam de bobagens para ele. Cansada de brigar, a alma apostou em um último golpe. Assim teria de volta a sua atenção. Seria certeiro. Foi e fez.

Abandonou aquele corpo, que morreu sem suplicar para que ela fosse em paz.

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Postado por Laila Hallack às 22:01

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qua 23

Durona

maio 2012

Se faz de durona, mas no fundo se derrete pelas mais simples bobagens. Não tem mais esperança no amor, desistiu de se entregar e mesmo assim, quando menos espera e quanto mais tenta disfarçar, está lá caidinha pelas palavras de um cara qualquer. Acredita nas cantadas menos sinceras e repete para si mesma não fazer isso. Se segura, calcula e, quando vê, solta aquele sorriso besta que, em pouco tempo, dá lugar para as velhas lágrimas de decepção. Já sabe como tudo acaba. Para evitar o drama de sempre, tenta ser prática. Diz para si mesma que só vai aproveitar a melhor parte dessa história de se apaixonar. Não consegue. Esfria o que deveria esquentar, afasta o que aproximaria, termina antes de começar.

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Postado por Laila Hallack às 01:48

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ter 22

Quando amanhece

maio 2012

Uma hora a festa acaba, a piada perde a graça e a brincadeira deixa de ser divertida. A embriaguez vira ressaca e a paixão, desilusão. Uma hora a beleza vai embora, o encanto desencanta, a droga perde o efeito, a felicidade entristece e a magia atormenta. A leveza logo pesa no ombro, o grito de alegria sai sufocado, pede socorro. Uma hora, tudo escapa.

Amanhece e escurece.

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Postado por Laila Hallack às 13:25

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sáb 19

Vida

maio 2012

Quer um conselho? Viva a vida. Ok, assim parece simples. São poucos que fazem isso, enquanto o resto tá aí complicando a vida, sofrendo a vida, planejando a vida e, aos poucos, perdendo a vida. Brinque a vida como se ela fosse o brinquedo que você tanto esperou ganhar dos seus pais. Enlouqueça a vida numa intensidade de tirar o fôlego. Ame a vida como se ela fosse seu primeiro e último amor. Decepcione a vida como se não devesse nada a ela. Ria e chore da vida apenas por senti-la. Ignore tudo que te aconselham sobre ela. A aceite como ela é, a faça como você quer. Viva. A sua vida.

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Postado por Laila Hallack às 18:16

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qui 26

Testamento

abril 2012

Deixo uns poucos trocados guardados, nenhuma dívida ou homem que possa chorar pela minha ausência. Deixo sonhos não realizados, planos não concretizados e as lembranças de uma vida bem vivida, ainda que fora do roteiro criado pelas minhas expectativas. Deixo também lágrimas desperdiçadas, dores que poderia ter evitado, choros contidos, engolidos a seco, e o gosto amargo das desilusões de quem um dia acreditou mais do que deveria. Deixo também o pecado de ter sido imperfeita e a benção de ter aceitado todas minhas imperfeições. Deixo o medo de amar, disfarçado em tentativas frustradas de fugir do sofrimento, como deixo também a felicidade de ter me apaixonado inúmeras vezes, sem controle, sem pudor e sem vergonha. Deixo, a quem possa interessar, algumas sinceras desculpas e nenhum rancor. Deixo, registrado em cartório, um pedaço de mim. Deixo as loucuras que não protagonizei, embora as tenha desejado profundamente. Deixo minhas risadas altas e desengonçadas e as palavras trocadas numa dislexia causada pela mais simples sensação de liberdade. Deixo minhas mensagens clichês de otimismo, minha fé na vida e minha patética crença na bondade dos outros. Deixo guardadas, exatamente para não serem encontradas, a minha insegurança, a pressa e as preocupações prematuras que fizeram arder minha gastrite e gritar minha alma. Deixo, aos amigos, aquilo de melhor que possamos ter passado juntos. Aos meus familiares, deixo sinceros agradecimentos pela graça de terem me tornado uma pessoa melhor e por terem, independente das circunstâncias, preservado valores tão fora de moda ultimamente. Deixo minha paixão, minha gula, meu canto desafinado, meu ritmo acelerado, minha fala estridente e meu coração pulsante. Deixo, na intimidade de quem realmente me conheceu, a vontade que tive em tornar mais leve a vida. Vida que deixo agora. Sem grandes feitos, nem a mudança que, um dia, ingenuamente esperei fazer no mundo. E a vocês, que aí esperam alguma coisa de valor deste testamento, deixo apenas um apelo: para que vivam da maneira que sinceramente querem viver. E possam, assim, deixar marcas que ninguém jamais desejará apagar.

* Para que não me entendam mal, deixo apenas um post. Um post que surgiu do nada e, se Deus quiser, continuará sendo apenas um post.

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Postado por Laila Hallack às 02:42

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qui 12

Diário de uma celíaca I

abril 2012

Quando descobri, desesperei. Ainda na sala de espera para a consulta, contrariando todos os conselhos, abri o exame e lá estava: alguma coisa e a palavra doença celíaca. Na mesma hora, pra piorar minha pré-consulta, dei um Google no celular e, mesmo com a precária conexão 3G, descobri do que se tratava. Alergia ou intolerância a glúten, o que quer que isso significasse, eu não poderia comer mais Cheedar, nem Big Mac, nem pãozinho com manteiga? Nunca mais beberia cerveja? Em menos de 5 minutos, chorei, liguei para a minha mãe e desabafei com a secretária. Em poucos dias eu ia viajar para passar um mês em NY! Isso não poderia ser verdade. Na consulta, explicações e mais orientações que só me faziam ficar triste.

Depois do susto, tirei um mês de folga. Quase não segui as restrições, comi o que tive vontade, bebi muita Corona e não resisti aos Kit Kat, cup cakes da Magnolia, chocolates do Max Brenner e tudo de mais gostoso que vi. Pareci alguém depois de usar muito drõgas ao comer no Mc Donald`s e, sim, passei mal como sempre vinha passando nos últimos anos sem saber o motivo. Mas agora eu sabia.

Na volta à realidade, tomei uma decisão. A fala “nossa, mas você não pode comer nada então!” que escuto toda vez que conto para alguém que não posso ingerir glúten passou a ser respondida com mais segurança e bom humor. Descobri que há uma infinidade de coisas gostosas com o NÃO CONTÉM GLÚTEN que tanto me faz feliz. Viciei em Ruffles (e já enjoei!), passei a amar ainda mais as boas e velhas fritas, comi muito Eskibon e vi que ser saudável é bem mais fácil do que parece.

Sou obrigada a controlar o que como, a olhar a embalagem toda vez que compro um produto e a ser bem chata nos restaurantes e bares – um post sobre isso depois, porque ainda tem muito lugar que trata o cuidado que tenho como se fosse uma exigência desnecessária, enquanto (graças a Deus!) há lugares exemplares pra quem tem algum tipo de alergia ou restrição alimentar. Antes, eu passava mal com frequência. Comia um pouco e ficava estufada como se tivesse comido beeeeem mais, tinha dor de barriga direto (ah, se abri um diário, bora falar com franqueza os sintomas dessa bagaça!) e engordava e emagrecia num efeito sanfona assustador.

E hoje? Ainda não me acostumei, mas a diferença na minha vida é tão gigante que não penso em “sair da dieta” nem um diazinho que seja. Nem mesmo quando a pessoa do meu lado bebe aquela Heineken estupidamente gelada (será?) ou devora um pedaço de pizza suculento (nunca fui fã de pizza mesmo). Qualidade de vida que falam, certo? E é isso mesmo. Bebo mais água, como mais frutas e como não posso comer salgadinhos e coxinhas de lanchonetes, acho que minha alimentação tá mais balanceada.

Vida social

Aniversários, casamentos e qualquer evento social são um pé no saco na vida de um celíaco. Tudo, tudo mesmo, é feito com farinha de trigo. E nunca, nunca mesmo, sabem te responder se a parada tem ou não a p*#&$ do glúten! Nas reuniões do trabalho, o lanche é sempre uma pizza, a esfiha ou os lanchinhos assados. Se eu reclamo? Ah, claro! Depois que você decide encarar a dieta a sério, acha que o mundo todo tem que entender isso. E ninguém entende. Você mesmo não sabia o que era glúten antes de descobrir que era alérgico a ele, então imagina os outros? A maldita proteína presente no trigo não faz efeito nenhum no corpo deles. Nem bem, nem mal. Não faz diferença. E por isso mesmo, vem sempre um: “mas só um pedacinho, vai”.

Celíaca, sim!

Não vou montar um movimento, nem levantar a bandeira dos celíacos. Apesar de brincar o tempo todo com isso, a doença é séria e tenho sorte de ter tido o diagnóstico bem cedo. Ultimamente, quando sem querer acabo ingerindo glúten, sinto um mal estar pior do que sentia antes. Tontura, fraqueza, uma moleza… não desejo para ninguém. Por isso mesmo valorizo de verdade o tratamento. Não preciso tomar remédio, nem nada. Mas quanto mais informação e cuidados, melhor.

Uma vez uma colega de trabalho brincou comigo para que eu não falasse a palavra celíaca. Realmente, não é nada bonita e parece nome de doença feia (que doença não é, minha gente?!). Ser apenas alérgica a glúten ou intolerante a glúten é mais elegante. Mas fazer o que? Sou celíaca, sim! E vou passar a escrever histórias e situações bizarras que passo por conta do querido glúten. Além de dividir receitinhas e contar pra vocês os produtos DEMAIS que não levam glúten (Kinder Ovo, por exemplo!).

Um brinde a quem leu até aqui, com uma boa vodca gluten free!

Na modinha

Dizem que a Juliana Paes e um monte de gente famosa tá seguindo uma dieta livre de glúten pra emagrecer. Eu não faria isso, viu! Se seu organismo aceita o glúten de boa, coma sem moderação. E pode ficar tranquilo se depois de ler (se é que você leu) você começou a pensar no que sente quando encara um pratão de macarrão e por aí vai. Parece que o mundo vai virar celíaco! Por isso, aproveitem enquanto há tempo.

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Postado por Laila Hallack às 21:17

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