10 de julho de 2018

Por que os celíacos devem se unir

Em algum momento da vida, todo celíaco se sente um ET. Se a estatística estiver mesmo certa, somos 1% da população. Só isso? É tão pouco, embora eu desconfie que sejamos mais do que pensamos. Temos a sensação de que estamos sozinhos até que nos encontramos – seja pessoalmente ou virtualmente – e nos identificamos nas dores e nas delícias da doença celíaca.

Leia também: Como a doença celíaca melhorou a minha vida

Por que é tão importante se conectar com outros celíacos?

Friends - Celíacos

Você não precisar explicar o que tem o tempo todo

A outra pessoa sabe, até porque ela também passa por isso! Não que eu ache ruim ter que falar sobre a doença celíaca, o glúten e dividir informações sobre a nossa condição (tenho o blog por isso, after all), mas é bom ter essa folga e estar com alguém que também está inserido na mesma realidade.

Você é compreendido

Laila Hallack - Friends

Por mais que a sua família e os seus amigos se esforcem para te entender e tenham empatia, só outros celíacos podem te compreender integralmente. Temos as nossas diferenças, é verdade, há celíacos mais rigorosos, há celíacos mais de boa, há celíacos catastróficos e há celíacos indisciplinados, mas estamos todos no mesmo barco.

Descubra qual tipo de celíaco você é!

Você pode sofrer junto

Friends

Reclamar sem parecer fresco. Se queixar sem parecer ingrato. Chorar sem ter que esconder as lágrimas. Celíacos que sofrem juntos, superam o sofrimento juntos!

Você pode rir junto

É cada situação que a gente enfrenta. Seria cômico se não fosse trágico, não é o que dizem?! Que seja cômicco então. E juntos reforçamos a importância de saber achar graça até nas desgraças e saias justas que passamos.

Você pode aprender junto

Aprendi mais com outros celíacos do que com os livros e profissionais da área. Aprendemos a nos virar, compartilhamos receitas, produtos, restaurantes, formas de evitar a contaminação cruzada… e o mais importante: aprendemos a importância de respeitar a nossa saúde.

Você pode lutar junto

Luta dos celíacos

Ninguém conquista nada sozinho. Fortalecer a causa celíaca e levantar a nossa bandeira pode transformar o mundo em um lugar melhor para nós. Apoiar grupos, associações, encontros e eventos é contribuir para a nossa luta. Faça o que está ao seu alcance, mas jamais se feche para o fato de que precisamos uns dos outros.

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12 de maio de 2018

Sobre ser mãe de uma celíaca

Todas as mães sofrem. Por 9 meses, sofrem os desafios físicos e emocionais de carregar no ventre uma nova vida. Sofrem a pressão da sociedade para que sejam assim ou assado. Muitas vezes, sofrem com o abandono do pai da criança e continuam, sozinhas, enfrentando os desafios da criação dos filhos. Sofrem tantas imposições para que recuperem o corpo, não dediquem o tempo apenas aos filhos, mas também não os abandonem para focar muito na carreira.

Mães sofrem. Sofrem o tempo todo porque são mulheres e mulheres sofrem as mais diferentes violências diariamente. Elas não sofrem resignadas como querem que pensemos. A maternidade é uma benção, mas nunca um conto de fadas.

Eu pensava em escrever sobre os desafios de ser mãe de uma celíaca. Há quilômetros de distância, entrevistei a minha esperando construir um texto informativo que pudesse ajudar a comunidade celíaca. Quando percebi que, não importa a situação, não importa a dificuldade, todas as mães sofrem.

Minha mãe sofreu quando aos 20 e poucos anos teve um filho com Síndrome de Down e o termo inclusão social ainda nem era usado. Sofreu e ainda sofre por trabalhar pela causa das pessoas com deficiência numa sociedade tão egoísta e desigual. Sofreu com as dificuldades do seu filho, mas sobretudo com as dificuldades do mundo em aceitá-lo e respeitá-lo. Sofreu a cada lágrima derramada pelo meu irmão, pela minha irmã e por mim.

Eu não tinha dúvidas de que, assim como eu, ela provavelmente tinha sofrido muito quando descobrimos o diagnóstico da doença celíaca. Feliz engano.

Quando perguntei qual tinha sido a sua reação, ela respondeu com sua voz doce num tom tão baixo que foi preciso esforço para ouvir. Cada palavra emitida curiosamente me fazia sentir ainda mais perto dela mesmo estando em outra cidade. Embora esperasse que ela enumerasse as suas preocupações com a doença celíaca, serenamente falou: “tudo que é novo e desconhecido gera medo”. Tá bem, mãe. Mas que dificuldades você teve comigo? “Nenhuma… depois que lemos tantos livros e publicações, aprendemos sobre a contaminação cruzada, adaptamos a casa, o resto é com você”.

Como jornalista, eu confesso. Às vezes esperamos algumas respostas, pois contamos com elas para construir aquela história que tínhamos em mente. Ainda bem que quase sempre somos surpreendidos e obrigados a sair do roteiro antecipado pela ânsia de mostrar aquilo que queremos.

Uma mãe cria os filhos para que eles possam voar. E logo eu, a caçula sempre tão paparicada, a cada resposta recebia uma nova lição. “Fico feliz em vê-la fazendo tudo sozinha, podendo morar fora e, aos poucos, aprendendo que tem condições de viver bem em qualquer lugar do mundo”, me encorajou com a sua fala otimista.

Ainda insatisfeita, pois queria um post que rendesse compartilhamentos e fosse bem rankeado, insisti. Mais uma vez, ela resolveu me desarmar. “Aprendi com a doença celíaca que o glúten não faz tanta falta. Uma alimentação saudável nem sempre precisa do glúten. Transformamos tudo o que você gostava muito… e foi dando ainda mais certo”, completou mostrando definitivamente que eu deveria mesmo era escrever sobre a sua maneira de enxergar a vida.

Mães sofrem, mas mais do que isso, mães amam, cuidam, protegem, amparam. Mães são fortes e atacam quando precisam atacar. Defendem a cria. Desafiam a própria cria. Mães ensinam. Não só a andar, a falar ou a cozinhar como a minha fez (ao lado do meu pai!).

I got it from my mama

A minha mãe me ensina, todos os dias, quando me pede que eu seja grata até pelas dificuldades. Me ensina ao pedir que eu tenha mais paciência. Me ensina ao valorizar as coisas mais simples. Me ensina ao ser tão generosa. Me ensina até quando silencia.

Ela me ensina quando esconde as suas preocupações com a doença celíaca – se é que ela as tem – e nas entrelinhas diz: “filha, vá viver, vá ser saudável, pois a sua doença não é nada”.

Feliz dia a todas as mães de crianças celíacas, a todas as mães celíacas… a todas as mães, pois independente se o filho carrega um diagnóstico ou não, sei o quanto vocês sofrem para que eles estejam sempre bem!

Felizes sejam as mães e que todas as dores por elas sentidas nos infinitos desafios da maternidade sejam amenizadas pela certeza de que, não importa como, a missão de cada uma está sendo cumprida.

Ah, antes que eu me esqueça, minha mãe me ensina a ser humilde e a controlar as armadilhas do ego, mas depois de uma resposta dessas, como não me achar?! “As receitas que você faz com tanta seriedade e compenetração saem melhores do que as nossas. Os bolos, por exemplo, você faz melhor do que eu. Tudo sai perfeito”, elogiou uma mãe descaradamente coruja.

E, afinal, qual não é?!

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