23 de agosto de 2016

A nossa melhor versão

Nunca demorei tanto a escrever alguma coisa como levei para conseguir terminar o Sobre mim. O que já revela muito sobre mim – mais para mim do que para quem está lendo. Será que me importo demais com o que vão pensar? Não sei fazer meu marketing pessoal? Tenho medo de valorizar as minhas qualidades e parecer pouco modesta? Não sei definir quem eu sou? E quem sou eu?!

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Para me ajudar, cheguei a pedir para algumas pessoas que me dissessem algumas características minhas que não poderiam ficar de fora. Minha mãe, meu namorado e alguns amigos. Não ia perguntar pra qualquer um, né?

E não é que eles acertaram? De cara disseram coisas que eu já tinha escrito. Você ama brigadeiro. Você é sensível como eu, disse minha mãe em mais uma tentativa de me mostrar que preciso tentar ser diferente dela. É celíaca. Mais que uma doença, essa é uma condição. Ter que conviver com ela pro resto da vida acaba definindo o meu estilo de vida.

Depois das constatações mais óbvias, vieram algumas surpresas.

Você é corajosa, ouvi também da minha mãe. Eu corajosa!? Eu tenho medo até do escuro! Para ela, encarar as câmeras é algo que exige coragem. Faz sentido. Para muita gente, entrar ao vivo dá pânico, mas por muito tempo esse foi o meu trabalho. Não tinha nada demais. Persistente, eu? Arregalei os olhos diante dela. Sempre acho que deveria insistir mais um pouco para as coisas darem certo. Inteligente? Recebi o elogio da amiga com um sorrisinho no canto da boca. Tenho sempre a sensação de que sei muito pouco, estudei muito pouco, li muito pouco, vi poucos filmes, assisti poucos espetáculos… já sentiram isso?

Discordei internamente das coisas que ouvi, mas comecei a pensar se em algum momento da vida fui corajosa, persistente ou mesmo inteligente. Indico fazerem o mesmo. É um exercício incrível. No mesmo dia, vi no Facebook: “Só você sabe quem você é. Os outros te imaginam”. Será mesmo?

A nossa essência, a nossa verdade, a nossa consciência – tudo isso isso só a gente sabe. Nem os mais próximos nos conhecem verdadeiramente, mas o que eles percebem de nós (ou imaginam) também revela bastante sobre quem somos ou poderíamos ser. Considerando as cobranças exageradas que fazemos (um reflexo de muitas coisas), quase nunca o nosso olhar é isento de críticas. Criamos centenas de exigências. Duvidamos do nosso potencial, questionamos as nossas qualidades e assim vamos vivendo numa constante insastisfação.

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Aqueles que nos amam nos imaginam como pessoas melhores do que somos, mas há nisso um fundo de verdade, não? Eles enxergam a nossa melhor versão e acreditam em nós. Muitas vezes, mais do que a gente.

bestTodo mundo gosta de confete, não por acaso recorri a pessoas que gostam de mim. Mas, mais do que receber elogio gratuito, temos que aprender a nos abrir para o que as pessoas pensam sobre nós. Colocar numa balança todas essas percepções pode ajudar a nos conhecer melhor. Não precisa acreditar em tudo o que sua mãe diz – elas são as mais generosas! – nem pirar para agradar a gregos e troianos. Dá para separar o trigo do joio! Não estou defendendo que ninguém passe a se importar com os julgamentos dos outros. Apenas percebi com essa experiência que é preciso se amar como os outros te amam! Agora, chega de reproduzir frases prontas. O amor não é cego, ele é apenas benevolente. Que sejamos assim: com os outros e com nós mesmos.

MAIS POSTS SOBRE:

  1. Cledson Campos

    Simplesmente, maravilhoso, sem palavras, parabéns, pretendo participar sempre.

  2. MICHELLE CARVALHO ALVES

    Parabéns Laila, belo trabalho! Lindas palavras!

  3. Patrīcia

    Lindo e verdadeiro o seu texto.

  4. Anastázia

    Muito bom, Laila!

  5. Lu Rocha

    Excelente texto! Parabéns, Laila!

  6. Samara Mendes

    Muito bom Laila. Parabéns!!!!!!!!

  7. monica campelo

    Laila PARABÉNS PELO SEU NOVO TRABALHO QUE DEUS DE ILUMINE SEMPRE TRAIS MUITO SUCESSO

  8. Paula cupertino

    Como sempre falo… Nosso mais certeiro desafio ou inimigo traidor está dentro de nos mesmo. Assim tanto refletir, prescrever e humildemente sugerir “BE KIND TO YOURSELF”

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