12 de janeiro de 2017

Alimentação inclusiva: o que é?

Pergunte para qualquer pessoa: qual o lugar da sua casa onde você passa mais tempo, em especial com a família? Se a resposta não for a cozinha, no máximo será a sala de jantar. É fato. A cozinha é o coração da casa. É em torno dela que nos reunimos não só para comer, mas para apreciar a companhia das pessoas com quem convivemos.

Fora de casa, a lógica é a mesma.

Para onde vamos quando queremos interagir socialmente? Para bares e restaurantes, geralmente em volta de uma mesa regada de bebidas e comidas. Comemos para saciar a nossa fome ou nos nutrir, mas também para saborear sensações. E nem sempre elas nos são servidas…

Por que falar de alimentação inclusiva?

Considerando a relação cultural que temos com a alimentação, dá para imaginar como é a vida de alguém com alguma restrição alimentar?!

Não poder comer nada em um aniversário, em uma confraternização do trabalho ou em uma festinha da escola é ter o acesso a essas experiências negado. Não ter o direito de vivenciar integralmente tais momentos é, sim, uma forma de exclusão – a chamada exclusão alimentar.

Alimentação Inclusiva - Celíaca

Como eu me sinto quando chego em algum lugar e vejo que tem opções sem glúten seguras e saborosas para mim…

Se para adultos o desconforto já é tão grande (falo por mim após 5 anos do diagnóstico da doença celíaca), pensem no trauma de uma criança obrigada a passar por isso? É como se não participássemos efetivamente da vida em comunidade como todos participam. Ainda que levemos a nossa própria comida, não é a mesma coisa. Não tem como ser.

Ambientes e situações que antes eram sinônimo de bem-estar, diversão e alegria, passam a nos causar tensão e infelicidade. Não deveríamos exigir do outro tamanha compreensão? É querer atenção demais? É exagero esperar que entendam e atendam às nossas necessidades? “É assim e pronto, você tem que aprender a conviver com isso”, alguns podem dizer ou, se forem mais educados, apenas pensar. “Deixa de besteira, aproveita só hoje e come um pouco”, podem sugerir aqueles que não imaginam o que passaremos depois.

Mas será que não tem mesmo jeito?

Será que o destino de quem tem restrição alimentar é a exclusão alimentar?

Ir na casa de uma amiga e ver que ela carinhosamente preparou ou comprou algo para você … Chegar em um restaurante e não precisar revirar o cardápio e, logo em seguida, interrogar o garçom, o chefe, o proprietário e o papagaio dele para, depois disso tudo, ainda ter que ficar só na água… Não precisar recorrer ao seu kit sobrevivência na bolsa durante um casamento.

Tudo isso pode parecer ideal e até irreal, mas já aconteceu comigo em raras e deliciosas exceções.

Oferecer opções que atendam quem tem alguma restrição alimentar não é favor. É demonstrar, no mínimo, respeito ao outro.

Se negar a acolher quem quer que seja, pelo contrário, é de uma indelicadeza sem tamanho. Mesmo quando o hábito alimentar se diferencia por uma escolha – os veganos estão aí para nos mostrar isso – não devemos esperar uma atitude diferente da aceitação. E só nos sentimos aceitos quando podemos desfrutar verdadeiramente desses saborosos momentos.

Com a maior preocupação com a saúde e o aumento considerável dos diagnósticos das alergias alimentares ou distúrbios relacionados a ela, já passou da hora de rever o comportamento excludente, não?!

Bolo Aniversário Sem Glúten

Bolo de aniversário delicioso feito pela minha mãe para mim. Todos os convidados amaram. Isso é inclusão alimentar… e amor!

A mudança começa em casa, mas não pode se restringir a ela (basta de restrições!!!!). Precisamos, inclusive, reconhecer a responsabilidade de todos no combate à este tipo de exclusão. Até o Estado tem sua parcela de culpa quando falamos em saúde pública e educação, mas esse papo fica para depois.

E qual a receita da inclusão alimentar?

Uma pitada de informação, boas doses de boa vontade e amor a gosto (de preferência sem miséria!).

Pela saúde da nossa vida social, vamos botar a mão na massa… sem glúten, sem lactose, sem derivados do leite e por aí vai!

Para mim, o termo é novo, embora o conceito por trás dele faça sentido para qualquer pessoa que lida com a restrição alimentar. Prometo pesquisar mais e compartilhar conteúdos bacanas sobre o tema. E se você tem alguma sugestão pro blog, deixe nos comentários!

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