17 de fevereiro de 2017

Ansiedade: bipolar é você!

Montanha russa

Se fosse para definir os dias de um ansioso eu não pensaria duas vezes antes de dizer: é uma verdadeira montanha-russa. Não uma qualquer, mas a mais radical, a mais alta, a mais veloz, com mais curvas e loopings.

Diferente da vida de qualquer pessoa, com naturais altos e baixos, a nossa oscila de uma forma que nos consome completamente.

Collage property of Felipe Posada / The Invisible Realm

Num dia, estamos bem e aparentemente todas as causas da nossa ansiedade resolvem nos dar uma trégua. Nos sentimos estranhamente animados, queremos planejar, produzimos como nunca e sorrimos como se algo fenomenal tivesse nos ocorrido. A calmaria de um ansioso não tem nada de calma. Ela nos deixa em êxtase! Somos tomados por uma alegria repentina. Respiramos melhor, comemos melhor, pensamos melhor, dormimos melhor… até que, sem perceber, gastamos toda a nossa energia.

Vida de ansioso - Laila Hallack

No dia seguinte, mal conseguimos levantar. Aquela vontade de fazer acontecer é substituída por todas as incertezas possíveis. Questionamos tudo. Até o que não é passível de nenhum questionamento. Os planos que foram feitos no dia anterior? Ah, deixa para lá. Não sabemos onde estávamos com a cabeça! Aquela ligação nos atormenta. Desmarcamos os compromissos. As obrigações importantes e as conversas banais: tudo parece tão mais complicado.

Às vezes, sentimos todas essas sensações em um único dia. E não é só variação de humor, não. Antes fosse. Somos tão inconstantes quanto as coisas do mundo dos versos de Gregório de Matos.

Nasce o Sol e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas e alegria.
Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na Luz falta a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se a tristeza,
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza.
A firmeza somente na inconstância.

Já cansei de ouvir: “o que foi?”, sem saber o que dizer. “Não sei” nunca é uma boa resposta. É difícil disfarçar. Dizem que minha feição até muda. Estou pulando – literalmente – de um lado para o outro quando, sem mais nem menos, paro, olho para o nada e… sei lá, já não quero mais pular, não. Como se o raro instante de leveza fosse substituído de rompante por uma espécie de tensão e desconforto.

Ser ansioso

As pessoas em nossa volta não entendem. Até ontem – ou até agora mesmo – estava tudo bem. Pior que estava! Nem nós entendemos.

Começamos até pensar que nos deram o diagnóstico errado. Será que não somos bipolar?

Ao me deparar com essa inusitada suspeita, me pego rindo novamente. De mim mesma, claro. E finalmente entendo: bipolar mesmo é essa tal de ansiedade!

 

Ansiosos e ansiosas que sempre pedem mais posts sobre o tema: no próximo vou falar quando a ansiedade é e quando não é mimimi! Alguma experiência pra compartilhar!?

MAIS POSTS SOBRE:

  1. Luiz Chafi

    Bom texto acolhedor , esclarecedor e reconfortante

  2. Valquíria

    Tão simples e sensível, me identifico muito com as sensações!

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