23 de agosto de 2016

Quebrando o silêncio: ansiedade

5fd2219c543b0a490f6ec0b00d202401

“Não conseguia parar por nada. O choro compulsivo vinha como uma catarse. Quando perguntavam o motivo daquelas lágrimas, respondia com uma sinceridade angustiante: “não sei”. Não tinha motivos para tamanha tristeza. Aqueles soluços tão profundos eram de alguém em completo desespero. Só não entendia o por quê. A vontade de sumir era transformada em saídas repentinas dos lugares em que estava. Sem dizer a ninguém, desaparecia ou simplesmente tentava desaparecer. Sempre em vão.

5855dd37eb477913771b7c96e0556edb

Precisava se afastar. E assim, aos pouquinhos, se afastava de todos. Queria ficar no banheiro. Não porque gostava dali. Tinha medo de sair. Não conseguia. Permanecia paralisada mesmo diante das tentativas de superar aquela estranha sensação. Ela, que era tão otimista, não acreditava em mais nada. Se via em uma posição de completa vulnerabilidade. Como um bebê assustado. Apavorado. Inseguro. Em silêncio, pedia socorro! Os fatos isolados não faziam sentido algum para ela. Ela nem sequer dava importância para eles. Diante do médico, veio a resposta. Os sintomas físicos recorrentes não tinham explicação nos exames, nem em nenhum diagnóstico previsível. “É psicossomático”, disse, com a voz afetuosa, como se a consolasse.

JennyYu

A arte depressiva de Jenny Yu

Sofria de transtorno de ansiedade. Mas como? Nunca foi de acreditar muito nisso. Não imaginava que seria possível adoecer desse jeito, sem mais nem menos. Não demorou para perceber que não tinha sido do dia pra noite. O quadro tinha apenas ficado mais grave.

Quando nossa alma percebe que algo está errado, o corpo se entrega.

A gente para. Não quer mais nada. Chora, come mal, não dorme. Por sorte, o tratamento ultrapassou as paredes do consultório. No repouso forçado, precisou renovar suas crenças, reavaliar a sua vida e o valor que dava para as coisas. Voltou a acreditar mais. Não nos problemas, nem nas cobranças ou nas dificuldades. E, sim, na importância delas para o seu crescimento. Foi difícil? Foi, claro, mas com a ajuda de quem estava perto, conseguiu superar o fantasma que a assombrava“.

The only thing more exhausting than being depressed is pretending that you’re not

De novembro pra cá, quando postei esse texto no Facebook, muita coisa mudou. Ainda bem! Há pouco mais de um ano eu decidi parar de esconder. Resolvi que não fazia sentido algum inventar desculpas ou escapar do assunto quando o que eu mais queria era falar. Desabafar. Eu estava passando por um tratamento contra o transtorno de ansiedade e quase ninguém sabia. Evitava dividir isso por motivos simples. As pessoas poderiam pensar que aquilo era “frescura”, “fraqueza” ou fariam qualquer outro tipo de julgamento, o que naturalmente acontece, eu sei (ainda falarei como eu mesma me julguei). “Pois que seja fraqueza então…”, mas frescura, nunca!

fraqueza

Por questões profissionais, por exemplo, achava melhor ser discreta (quem garante que os outros vão entender?). Seguindo a recomendação médica, fiquei um período afastada do trabalho para reverter os principais sintomas físicos. Até que resolvi abrir o jogo. Como eu me senti mais leve! Mais do que isso, recebi o apoio amigos e de quem jamais poderia imaginar (muitas respostas vieram virtualmente!). Apesar de todo carinho, a maior surpresa foi perceber quanta gente passava ou já tinha passado por algo parecido. E como é bom saber que não estamos sozinhos! Cheguei a compartilhar a minha história com o Movimento Zen – um perfil super bacana que acompanho desde o comecinho e que sempre me ajuda nessa constante busca pela paz.
 
Eu tô bem!

Hoje eu tô bem! Bem melhor mesmo. Ainda em tratamento e sem poder descuidar de mim mesma. Não quero fazer drama com isso, juro. Esse post jamais teve outra intenção senão a de anunciar que o assunto vai ser recorrente aqui. Sou uma pessoa alegre, animada, positiva até dizer chega, mas como todos nós, também tenho as minhas questões. Aqueles momentos de dúvidas profundas, aquela angústia de apertar o peito… Se deixar, o mundo bota a gente num ritmo acelerado como se precisássemos sempre correr. O que não faz bem a ninguém e não faz sentido algum. Pra quê tudo isso?

Como seguir por um caminho diferente desse? É o que quero dividir e descobrir com vocês. Em breve, vou contar como foi começar a meditar. Chega a ser engraçado, vocês vão ver. Pra nossa conversa fazer mais sentido, que tal tentar também? Se já adota a prática, divida comigo sua experiência.

Estou ansiosa para saber. 🙂

Namastê!

let

 

MAIS POSTS SOBRE:

  1. Lu Rocha

    Olá! Vivo nesse mundo de mudanças com meu ‘Eu’ . Hora alegre, hora triste. Me escondendo, dando desculpas. Tentando sair desse estado. Buscando ajuda. Nem sempre tenho o resultado que espero. Uns criticam, outros ignoram. Quando e como achar esse equilíbrio da alma?

  2. Cledson Campos

    Volte ao assunto me interessa muito. Obrigado.

  3. Adélia Oliveira

    Que massa!!! Muito interessante esse assunto… Numa época que só corremos e não sabemos nem pra onde e nem o porquê… Eu também me senti e sinto exatamente como você descreveu… É uma luta diária… Tentando driblar nossos fantasmas. Parabéns pelo blog!!!

  4. Danielle Malta

    Bom que vai ser um assunto recorrente 😀 Bom saber que não estamos sozinhas nesse barco, que alguem entende como é passar por esses periodos nebulosos

  5. Gleicy Bachini

    Parabéns por compartilhar e ajudar a muitas pessoas que tem medo de falar o que sente a quebrar esse tabu!

  6. Marcelo

    É bem assim mesmo. Uma vontade de largar tudo e sumir do nada. Não da para entender qual caminho seguir. Para sair desse “loop” precisei tomar uma decisão drástica e mudar, mesmo sem saber como, a vida profissional. Ainda passo por momentos sem saber que rumo seguir e bate o desânimo, mas praticar yoga e meditar também tem ajudado.

    • Laila Hallack

      Foi assim comigo também. Acho que todos esses sintomas são na verdade sinais de que precisamos tomar coragem para fazer alguma coisa na vida… Mesmo sem saber exatamente o que! Há males que vem para o bem… não é o que dizem!? Vamos tentar ver dessa forma e buscar o nosso caminho com mais alegria, paz… Vou postar mais sobre o tema. É bom descobrir que podemos nos ajudar!

  7. Julia

    Laila, descobri seu site por acaso. E já apareceu pra mim de cara essa sua postagem. Eu passei exatamente pela mesma coisa. Achei que não fosse suportar. Um dia, “do nada” veio o primeiro sintoma. Estava dando aula e passei mal, quase desmaiei. E a partir daquele momento os 6 meses seguintes foram muito difíceis: um peso constante na cabeça, taquicardia, dor no estômago e outros sintomas típicos que me impediam muitas vezes até de sair de casa. Tive que parar tudo. E depois dessa pausa reavaliei muitas coisas e o que era mesmo prioridade. Foi um aprendizado!

    Seu site é excelente! Sucesso!

    Beijos

Deixe seu comentário!