10 de agosto de 2017

A auto-estima do celíaco

Auto-estima do celíaco
O diagnóstico da doença celíaca foi a minha salvação. Pode parecer difícil entender quando digo isso. E eu faço questão de repetir o tempo todo. Não é que somos exatamente mais felizes por sermos celíacos. Apenas sabemos que sem o diagnóstico estaríamos muito pior. Sem ele, a doença pode ser devastadora. Até chegar nele, passamos por poucas e boas, que de boas não têm nada…
Enquanto somos consumidos pela destruição causada pelo glúten no nosso organismo vão-se a saúde, a disposição e até os cabelos.
Tirar o glúten emagrece?
Em uma sociedade que nos impõe padrões de beleza inalcançáveis, comemorar os quilos adquiridos após o tratamento pode causar estranheza. A alegria do médico diante da balança me fez entender: mais valioso do que ter o corpo da revista é ter um corpo forte e saudável. Um corpo possível de acordo com a minha realidade. Ao contrário do que tentam nos empurrar guela à baixo: nem sempre emagrecer é sinônimo de saúde, vide os transtornos alimentares.
(Observação importante: não estou reclamando do meu peso. Reconheço a luta de quem sofre na pele situações reais e opressivas por, simplesmente, ser gordo)
A beleza está além do que se vê e é relativa, mas não podemos negar que nos olhar no espelho não é fácil quando carregamos conosco uma doença que não tem cura. Não é só o corpo ou o cabelo que muda. A nossa relação com quem somos também se estremece.
Nos sentimos frágeis, vulneráveis e nem sempre nos reconhecemos. Dividimos a vida entre antes e depois da doença celíaca. Reclamamos de tudo que não podemos mais, não fazemos mais ou não somos mais, sem lembrar que a nossa versão agora só é possível porque temos o diagnóstico.
Sempre fui insegura e não vou culpar o glúten por isso. Já basta culpá-lo por tanta coisa. Mas outro dia recebi uma mensagem mais ou menos assim: como pode uma celíaca ter um cabelo tão lindo?
E, finalmente, percebi.
Celíaca feliz - Laila Hallack

Foto do Wagner Emerich – O retratista há mais de um ano… o cabelo tá bem maior agora! :)

Eu que sempre tive cabelo curto, no máximo no ombro, fiz o caminho inverso. Enquanto os cortes long bob e até o pixie – este tão empoderador – passaram a estar em alta, resolvi deixar o cabelo crescer. E só hoje entendo o significado disso.
Recuperada, embora ainda em tratamento, meus fios já não caem tanto. Não são tão fortes ou volumosos quanto parecem nas fotos das redes sociais. Não vou negar que um babyliss às vezes pode nos enganar. Mas ver ele chegando no meio das costas me faz acreditar que eu também posso chegar mais longe mesmo sendo celíaca.
Temos uma doença, mas não precisamos parecer doentes. E mesmo que os rastros deixados por ela sejam aparentes – não é de uma hora para outra que o corpo se ergue novamente – é de dentro que vem a nossa maior beleza.
 Clichê. Mas o que são os clichês senão verdades incontestáveis que repetimos muitas vezes até que se tornem previsíveis? Infelizmente, ainda precisaremos repetir incansavelmente até que, verdadeiramente, acreditemos nisso.

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  1. Jamile

    Bem, tb sempre fui insegura, baixa estima…hahaha…mas meu cabelo sempre foi lindo…quando comecei a adoecer mais forte (sintomas d diarreia direto, sem parar) meu cabelo começou a cair e ficar seco…
    Após o diagnóstico hj há 1 ano, achei q logo iria melhora, mas ainda não.. e o pior é q a minha pele está terrível seca …Kkkk
    Mas, eu consigo agradecer a Deus por ter descoberto a DC, pois vejo a luz no fim do túnel…hahaha Acredito q poderia ser pior!! (Sempre lembro do livro da Poliana)…
    Vamos lutando pela saúde sempre!! E estar feliz tb nos deixa mais bonitas!! Beijão Laila!

  2. Noelia

    Excelente texto Laila. Identificada al 100 x 100, mi vida gracias al diagnóstico también cambio para bien, y estoy tan agradecida con eso. Éxitos siempre. (Será que vai precisar tradução.?)

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