15 de setembro de 2016

Basta!

basta

“Basta com a paz do verão que me deu
Chega de cais, de porão e portais
Por ter meio, por ser chão eu me entrego

Basta com a dor que o inverno me deu
Chega de chás, de perdão e jornais
Por ser meio, por ter chão eu me encerro”

Diante de qualquer tipo de intolerância, a vontade que temos é a de reagir. Gritar. Dar um basta! Às vezes, as palavras não saem com a mesma força que a nossa indignação. A voz embarga. Silencia.

Uiara

Voz da liberdade

Com a música, Uiara Leigo sempre conseguiu expressar as suas mais diferentes inquietações. Ao compor e cantar, dá um basta a tudo que lhe aflige. Não se cala. Não à toa uma canção do CD “Meu canto é segredo,” lançado no fim do ano passado, tem esse nome.

Para produzir o clipe da música , a cantora lançou uma enquete no Facebook com a pergunta: pra quê você daria um basta? Foram vários relatos. Homofobia, racismo, machismo, preconceito religioso. A partir da repercussão gerada pelo questionamento, veio a ideia de formalizar aquilo que já fazia nos shows. “As pessoas estão precisando colocar para fora as suas angústias, mas nem sempre há espaço para isso. Pensamos, então, em criar um projeto que pudesse alimentar esse desejo e agregar outras manifestações artísticas que também dessem um basta à intolerância de gênero, raça e religião”, explica.

A primeira edição do evento, realizada em maio deste ano, reuniu mais de 500 pessoas de todas as tribos e idades. Apesar do tom imperativo do nome, a proposta é tratar os temas de forma poética. “Com a arte, conseguimos sensibilizar e alcançar mais gente”. No contraponto do que parece uma imposição, está a busca por mais empatia e compreensão, o que não significa que a força do Basta! (com exclamação!) seja menos necessária no combate à intolerância.

Na praça

basta

Riqueza natural e cultural

A iniciativa ocupa um espaço público com as mais ricas manifestações da diversidade com artistas, grupos e coletivos que também se dedicam para que todos sejam respeitados pelo que são, independente de suas características, origens e escolhas.

A praça do bairro Jardim Glória (mais conhecida como praça do Bar do Leo) acolheu e dialogou com o propósito do Basta!. “O clima da natureza envolve não só as linguagens do meu show. Essas são as raízes que alimentam o projeto. Escolhemos um lugar democrático que nos conecta, onde as pessoas tenham livre acesso para participar”.

Arte para mudar o mundo

Embora prefira não chamar assim, Uiara sabe que a bandeira que o projeto defende não é nova. Infelizmente. “Propomos apenas outra abordagem para discutir algo que já poderia ter sido resolvido na humanidade. Em tempos de tantos desajustes, a arte é ainda mais necessária”. E é através dela que espera mudar o mundo.  “Quero tocar as pessoas com o que escrevo, canto e interpreto. A arte me transforma. Espero que ela possa transformar mais gente“.

Cantar a diversidade

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Mulher, homossexual, seguidora de uma religião de matriz africana. Uiara sabe a importância de trazer à tona todas essas questões, assim como todos os participantes do projeto. O discurso do Basta! está longe de ficar restrito ao campo das palavras, dos versos, da melodia, dos sons com raízes africanas, dos ritmos mineiros, das fotografias com casais homoafetivos, da dança folclórica ou dos ideiais feministas. Ao retratar a diversidade com transparência e ternura, ele fala direto aos corações.

“Com a arte o diferente se torna mais ‘normal'”. Não que não seja. Mas pelo menos aos olhos de quem insiste em enxergar assim, a arte tem a capacidade de fazer com que possam ver a diferença com menos preconceito, mais respeito e, quem sabe, com mais amor.

 

Pra anotar: a segunda edição do Basta! está marcada para o dia 25/09. Eu vou e você?

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