17 de junho de 2017

É tudo verdade?!

real life

“Quem é de verdade sabe quem é de mentira”. Não é a primeira vez que leio ou ouço a frase no Instagram de figuras públicas. Como se alguém fosse 100% verdadeiro em um perfil. Não é, nem nunca será.

Essa gente que trabalha com as rede sociais – me incluo nessa – tem uma imensa necessidade de provar tanta coisa o tempo todo que às vezes cansa. Eu mesma fico sem saber como agir e perco a paciência com as obrigações deste meu novo ofício. A verdade é que não deveríamos gastar tanta energia tentando mostrar que o nosso feed é o reflexo fiel da nossa vida real. Ninguém acha isso (ou acha?).

Take a selfie Fake a life

Qualquer forma de retratar uma realidade é apenas um retrato. Sou jornalista, já trabalhei em redação de TV e posso dizer: nem a notícia, que teoricamente deveria ser um recorte preciso dos fatos, é. Imagine as fotos e os vídeos que postamos? Até a galera que tenta nadar contra a corrente faz isso com um objetivo. E mesmo você que usa despretensiosamente o Instagram ou Facebook, também escolhe a melhor foto, o ângulo que te favorece, o filtro que te deixa mais bonita, o efeito que te faz parecer mais isso ou aquilo… É normal, ok?

Por trás de nossas postagens há sempre uma intenção. Todas elas são legítimas. Só não precisa virar uma obsessão.

Chaplin

Um excesso de estratégias. Uma construção exagerada da vida. Qual a graça? Daí vem essa estranha tendência em se justificar o tempo todo. Depender tanto de aprovação, ainda que seja pelo bem de um negócio, pode se tornar uma cilada. Quanto mais seguidores e likes, melhor para o nosso trabalho, eu sei. Mas se para isso você precisa se adequar a ponto de não se reconhecer, tem algo errado. A internet está cheia de gente formatada. Não há problema algum em querer reproduzir um formato que faz sucesso desde que você não tenha que ficar se explicando.

Mesmo que tenhamos menos alcance, não precisamos nos render cegamente às exigências do mercado. Embora tentem nos impor algumas regras – até o Google faz isso se quisermos aparecer nas buscas – é você quem escolhe qual seguir. Porque, afinal, sempre caberá ao público decidir com o que se identifica mais.

Te sigo, logo te invejo

Na internet, a grama do vizinho parece ainda mais verde que a nossa. Os corpos, os looks, as comidas, os relacionamentos, as viagens e os trabalhos do outro são sempre tão melhores que os nossos que se sentir fracassado diante do feed alheio é tão comum quanto andar para frente. Qual o risco disso?!

Soul

Vender uma vida padronizada pode formar uma geração de insatisfeitos que não consegue olhar além das telas. Uma legião de pessoas vazias acostumadas a consumir apenas a superfície.

É preciso ver, tocar e sentir a grama de verdade. Colocar o pé descalço nela. Sentir cócegas enquanto caminha. Levar uma picada de um bicho qualquer. Simplesmente viver antes de postar.

Que saibamos distinguir a verdade de verdade e a mentira travestida de verdade. Antes que seja tarde.

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  1. Juliana Acácio

    Adorei o texto Laila, parabéns!
    De tempos em tempos faço um “detox” de stories pq canso e quero viver de verdade, sem estar conectada. Por mais que os leitores/seguidores “cobrem” para que você faça um big brother, eles precisam entender que muitas vezes é cansativo esse reality da sua própria vida né?
    Ah, e tenho medo de pessoas que acreditam que a vida real está registrada no feed do Instagram. Ui!
    Beijinhos!

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