coruja

Categoria > Reflexões

sáb 19

Vida

maio 2012

Quer um conselho? Viva a vida. Ok, assim parece simples. São poucos que fazem isso, enquanto o resto tá aí complicando a vida, sofrendo a vida, planejando a vida e, aos poucos, perdendo a vida. Brinque a vida como se ela fosse o brinquedo que você tanto esperou ganhar dos seus pais. Enlouqueça a vida numa intensidade de tirar o fôlego. Ame a vida como se ela fosse seu primeiro e último amor. Decepcione a vida como se não devesse nada a ela. Ria e chore da vida apenas por senti-la. Ignore tudo que te aconselham sobre ela. A aceite como ela é, a faça como você quer. Viva. A sua vida.

Postado por Laila Hallack às 18:16

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qui 26

Testamento

abril 2012

Deixo uns poucos trocados guardados, nenhuma dívida ou homem que possa chorar pela minha ausência. Deixo sonhos não realizados, planos não concretizados e as lembranças de uma vida bem vivida, ainda que fora do roteiro criado pelas minhas expectativas. Deixo também lágrimas desperdiçadas, dores que poderia ter evitado, choros contidos, engolidos a seco, e o gosto amargo das desilusões de quem um dia acreditou mais do que deveria. Deixo também o pecado de ter sido imperfeita e a benção de ter aceitado todas minhas imperfeições. Deixo o medo de amar, disfarçado em tentativas frustradas de fugir do sofrimento, como deixo também a felicidade de ter me apaixonado inúmeras vezes, sem controle, sem pudor e sem vergonha. Deixo, a quem possa interessar, algumas sinceras desculpas e nenhum rancor. Deixo, registrado em cartório, um pedaço de mim. Deixo as loucuras que não protagonizei, embora as tenha desejado profundamente. Deixo minhas risadas altas e desengonçadas e as palavras trocadas numa dislexia causada pela mais simples sensação de liberdade. Deixo minhas mensagens clichês de otimismo, minha fé na vida e minha patética crença na bondade dos outros. Deixo guardadas, exatamente para não serem encontradas, a minha insegurança, a pressa e as preocupações prematuras que fizeram arder minha gastrite e gritar minha alma. Deixo, aos amigos, aquilo de melhor que possamos ter passado juntos. Aos meus familiares, deixo sinceros agradecimentos pela graça de terem me tornado uma pessoa melhor e por terem, independente das circunstâncias, preservado valores tão fora de moda ultimamente. Deixo minha paixão, minha gula, meu canto desafinado, meu ritmo acelerado, minha fala estridente e meu coração pulsante. Deixo, na intimidade de quem realmente me conheceu, a vontade que tive em tornar mais leve a vida. Vida que deixo agora. Sem grandes feitos, nem a mudança que, um dia, ingenuamente esperei fazer no mundo. E a vocês, que aí esperam alguma coisa de valor deste testamento, deixo apenas um apelo: para que vivam da maneira que sinceramente querem viver. E possam, assim, deixar marcas que ninguém jamais desejará apagar.

* Para que não me entendam mal, deixo apenas um post. Um post que surgiu do nada e, se Deus quiser, continuará sendo apenas um post.

Postado por Laila Hallack às 02:42

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seg 02

Histórias ignoradas

abril 2012

Todo mundo tem uma história, mas a gente esquece disso ao fechar o vidro do carro na cara do moço que pede dinheiro na esquina. Pensa que ele é vagabundo, vagabundo pode até ser. Junta uns poucos trocados para sustentar o vício que destruiu o pouco da dignidade que ainda lhe restava. É ignorado pela maioria que passa. Muitos tem medo e justificam o olhar de repúdio com incontáveis estatísticas policiais. Infelizes exemplos que estampam os jornais. O amigo que foi assaltado, o apresentador famoso que perdeu o relógio de luxo e a prima que levou um tiro na cabeça. Dá medo. Outros sentem nojo e criticam impiedosamente o garoto franzino com rosto acinzentado pela falta de banho. O olhar arredio.

Não peço que abram os vidros para a ameaça que vem quando o sinal fica vermelho. Eles tem uma história. Podem ser tão vítimas quanto você. Ou pelo menos são mais do que os malditos seres que não deveriam existir no seu trajeto para casa. Atrapalharam um caminho que até então parecia tranquilo. Interromperam o sossego da sua família. Sentimos pena. Olhamos para a frente para fingir que não os vemos. E na tentativa frustrada de proteger nossa vida medíocre, desviamos o olhar mais uma vez. Não são pobres coitados, nem vilões. Não dá para dizer. A história deles, ninguém quer saber.

Postado por Laila Hallack às 23:37

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qui 29

Não desliga

março 2012

Com medo de perder a hora, não dorme direito. Durante alguns dias, precisa acordar bem mais cedo do que de costume. Até o relógio biológico entrar no ritmo, fica nessa. Deita antes do fim da novela, coloca o notebook no colo e promete para si mesma: só mais 10 minutos. Não desconecta nem quando dá logout e desliga a máquina. Deixa a luz acesa para garantir. Vai levantar antes de clarear e nunca se sabe. Programa o despertador para 5 da manhã. No outro aparelho celular, o aviso vai vir em série: 4h30, 4h40, 4h50 5h. Alguma coisa assim. Se não ouvir o primeiro toque, sem erro. Há de escutar algum outro. Tenta dormir e não consegue. Sabe que precisa pegar no sono rápido e isso só piora a situação. O tempo de descanso vai se reduzindo na mesma velocidade com que seu sono vai embora. Remexe, revira na cama sem parar, vai ao banheiro mais uma vez. “A última”, pensa. De repente, acorda assustada. Perdeu a hora? Olha no relógio: nem 2 da manhã ainda! Repara, então, que tinha dormido. Cai de novo no travesseiro e inicia mais um embate para embalar no sono. Até o bipe do despertador gritar estridente, se assusta mais algumas vezes. Não sonha, nem relaxa. Não sabe se apenas fechou os olhos ou se realmente conseguiu dormir. Levanta na hora certa. Sente sono o dia inteiro. “De tão cansada, a próxima noite vai ser mais fácil”, pensa iludida. Os bocejos insistentes que a acompanharam o tempo todo somem de uma só vez quando deita. Mais uma vez, começa a maratona. E ela não desliga.

Postado por Laila Hallack às 01:24

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sex 23

Art Viewers

março 2012

Se me perguntarem o que mais me fascinou nos museus que visitei em NYC, não vou pensar duas vezes. Não espere que eu diga o nome de alguma obra daquelas famosas que todos fazem questão de ver e por menos que entendam de arte, reconhecem de longe. Frida, Van Gogh, Picasso, Matisse. Galera tava bem representada.

Eu poderia destacar ainda as instalações curiosas que até agora não consegui compreender ou os espaços para fotógrafos contemporâneos com trabalhos de deixar o queixo caído. Na visita que fiz com o cronômetro acelerado pelos andares gigantescos do Metropolitan Museum ou no passeio deslumbrado no MoMa, o que me intrigou estava ali no meio do burburinho de turistas.

A mistura de sotaques e idiomas apenas fazia barulho nas entradas e saídas. Apesar das câmeras penduradas e dos roteiros turísticos posicionados como mapas (aliás, os mapas são instrumentos indispensáveis para se situar nos museus e se você for como eu, ainda assim corre o risco de se perder diante de tantas indicações didáticas gritando à sua frente!), o silêncio de admiração e contemplação reina nos centros artísticos da cidade mais agitada do mundo. Redirecionei o foco da câmera e precisei registrar o que meu olhar mais enquadrou: a atitude perante a arte.

Visitantes solitários. Afinal, nada melhor do que ir sozinho a um museu.

Até o segurança dá uma pausa e espia a escultura que, com certeza, vê todos os dias.

Pinturas celebridades ganham mais atenção. Ou pelo menos, parecem ganhar.

Quando deveria pensar sobre o que estava ali, com data, nome do artista e uma breve explicação, me pegava imaginando o que diabos estaria passando na cabeça das pessoas. Os olhares tensionados, tantas vezes vazios, se perdiam num movimento que jamais conseguiria captar. Instigada, me contive com as fotografias. E por alguns momentos, vi arte nisso.

Postado por Laila Hallack às 09:34

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qua 21

Permita-se

março 2012

Ninguém precisa aprovar. Não é preciso que deixem, liberem ou autorizem, muito menos que entendam. Nem que concordem. Podem até falar. Vão questionar e julgar mesmo quando não deveriam. Não tem como evitar. Fugir também não. Ninguém precisa permitir. Apenas você.

Postado por Laila Hallack às 23:57

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qua 14

Frescurinhas na decoração

março 2012

Mais uma da série frescurinhas que a gente adora: agora na decoração.

Uma eterna criança, por que não?

Cachorrinho brinde que ganhei na Victoria`s Secrets, bonequinhos Toy Art da Imaginarium, brindes de Ovos de Páscoa da Hello Kitty e uns broches divertidos que ainda não descobri lugar melhor pra colocar. Curtiram?

Postado por Laila Hallack às 02:10

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sex 09

Pra voar

março 2012

Desenhou asas nas costas imaginando que um dia pudesse voar bem alto. Sem perceber, o vento é que vinha direcionando seu trajeto durante todo esse tempo. Não precisaria estar longe, muito menos no topo. O bater das asas, devagar e cauteloso, a levaria ao lugar certo. Simbólica, a marca da tatuagem só representava uma coisa. Tinha se libertado da gaiola e aprenderia, do seu jeito, a voar.

Postado por Laila Hallack às 01:30

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sáb 25

NYC inspiration

fevereiro 2012

Durante um mês, fui turista, estudante e moradora (tá, foi por pouco tempo, mas tentei fazer coisas new yorkers como mandam todos os guias!) em NYC. Demorou, mas chegou a hora de dividir algumas das mais de mil fotos que tirei. Um pouco do muito que me inspirava na cidade. A primeira foto é numa tentativa de mostrar o looshoo que era aquilo lá (e sim, a sacola Marc Jacobs foi virada propositalmente para aparecer, OF COURSE MY HORSE). Depois, algumas publicadas no Instagram. Outro dia posto as que fiz com minha câmera nova que até hoje ainda não aprendi a usar. Espero que gostem!

Logo logo posto mais fotos e algumas histórias de lá. Tempo real, a gente (não) vê por aqui! ;)

Postado por Laila Hallack às 00:55

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qui 23

Automático

fevereiro 2012

Bom dia! Os cumprimentos, por mais educados que sejam, saem no automático. Acorda, levanta, faz, deita e dorme. Uma rotina engessada em neuras e preocupações. Complicada e vazia. Simples assim. A reza sai decorada. E vem apenas nos momentos de desespero. O riso é quitado no crédito quando pede as bebidas do fim de semana. O saldo não preocupa. Os amigos, todos longe, agora são virtuais. No espelho, o reflexo da única presença real em sua vida nem é notado. Senão para escovar os dentes e pentear os cabelos, mal se percebe à sua frente. Corre, estressa, grita, chora, mas não sente. Não anda mais de ônibus apenas para pensar durante o trajeto. Não sonha mais acordado. Não joga bola no campo do bairro de interior. Nem bebe cerveja com os amigos do tempo de faculdade. Desistiu do violão. Acha poesia a maior baboseira. Aperta a gravata, acerta o paletó e, sem olhar nos olhos, se despede do velho porteiro. No automático, mais um dia. Sem cor, sem sentido. Sem vida.

Postado por Laila Hallack às 23:25

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