coruja

Categoria > Reflexos

qui 26

Testamento

abril 2012

Deixo uns poucos trocados guardados, nenhuma dívida ou homem que possa chorar pela minha ausência. Deixo sonhos não realizados, planos não concretizados e as lembranças de uma vida bem vivida, ainda que fora do roteiro criado pelas minhas expectativas. Deixo também lágrimas desperdiçadas, dores que poderia ter evitado, choros contidos, engolidos a seco, e o gosto amargo das desilusões de quem um dia acreditou mais do que deveria. Deixo também o pecado de ter sido imperfeita e a benção de ter aceitado todas minhas imperfeições. Deixo o medo de amar, disfarçado em tentativas frustradas de fugir do sofrimento, como deixo também a felicidade de ter me apaixonado inúmeras vezes, sem controle, sem pudor e sem vergonha. Deixo, a quem possa interessar, algumas sinceras desculpas e nenhum rancor. Deixo, registrado em cartório, um pedaço de mim. Deixo as loucuras que não protagonizei, embora as tenha desejado profundamente. Deixo minhas risadas altas e desengonçadas e as palavras trocadas numa dislexia causada pela mais simples sensação de liberdade. Deixo minhas mensagens clichês de otimismo, minha fé na vida e minha patética crença na bondade dos outros. Deixo guardadas, exatamente para não serem encontradas, a minha insegurança, a pressa e as preocupações prematuras que fizeram arder minha gastrite e gritar minha alma. Deixo, aos amigos, aquilo de melhor que possamos ter passado juntos. Aos meus familiares, deixo sinceros agradecimentos pela graça de terem me tornado uma pessoa melhor e por terem, independente das circunstâncias, preservado valores tão fora de moda ultimamente. Deixo minha paixão, minha gula, meu canto desafinado, meu ritmo acelerado, minha fala estridente e meu coração pulsante. Deixo, na intimidade de quem realmente me conheceu, a vontade que tive em tornar mais leve a vida. Vida que deixo agora. Sem grandes feitos, nem a mudança que, um dia, ingenuamente esperei fazer no mundo. E a vocês, que aí esperam alguma coisa de valor deste testamento, deixo apenas um apelo: para que vivam da maneira que sinceramente querem viver. E possam, assim, deixar marcas que ninguém jamais desejará apagar.

* Para que não me entendam mal, deixo apenas um post. Um post que surgiu do nada e, se Deus quiser, continuará sendo apenas um post.

Postado por Laila Hallack às 02:42

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qui 12

Diário de uma celíaca I

abril 2012

Quando descobri, desesperei. Ainda na sala de espera para a consulta, contrariando todos os conselhos, abri o exame e lá estava: alguma coisa e a palavra doença celíaca. Na mesma hora, pra piorar minha pré-consulta, dei um Google no celular e, mesmo com a precária conexão 3G, descobri do que se tratava. Alergia ou intolerância a glúten, o que quer que isso significasse, eu não poderia comer mais Cheedar, nem Big Mac, nem pãozinho com manteiga? Nunca mais beberia cerveja? Em menos de 5 minutos, chorei, liguei para a minha mãe e desabafei com a secretária. Em poucos dias eu ia viajar para passar um mês em NY! Isso não poderia ser verdade. Na consulta, explicações e mais orientações que só me faziam ficar triste.

Depois do susto, tirei um mês de folga. Quase não segui as restrições, comi o que tive vontade, bebi muita Corona e não resisti aos Kit Kat, cup cakes da Magnolia, chocolates do Max Brenner e tudo de mais gostoso que vi. Pareci alguém depois de usar muito drõgas ao comer no Mc Donald`s e, sim, passei mal como sempre vinha passando nos últimos anos sem saber o motivo. Mas agora eu sabia.

Na volta à realidade, tomei uma decisão. A fala “nossa, mas você não pode comer nada então!” que escuto toda vez que conto para alguém que não posso ingerir glúten passou a ser respondida com mais segurança e bom humor. Descobri que há uma infinidade de coisas gostosas com o NÃO CONTÉM GLÚTEN que tanto me faz feliz. Viciei em Ruffles (e já enjoei!), passei a amar ainda mais as boas e velhas fritas, comi muito Eskibon e vi que ser saudável é bem mais fácil do que parece.

Sou obrigada a controlar o que como, a olhar a embalagem toda vez que compro um produto e a ser bem chata nos restaurantes e bares – um post sobre isso depois, porque ainda tem muito lugar que trata o cuidado que tenho como se fosse uma exigência desnecessária, enquanto (graças a Deus!) há lugares exemplares pra quem tem algum tipo de alergia ou restrição alimentar. Antes, eu passava mal com frequência. Comia um pouco e ficava estufada como se tivesse comido beeeeem mais, tinha dor de barriga direto (ah, se abri um diário, bora falar com franqueza os sintomas dessa bagaça!) e engordava e emagrecia num efeito sanfona assustador.

E hoje? Ainda não me acostumei, mas a diferença na minha vida é tão gigante que não penso em “sair da dieta” nem um diazinho que seja. Nem mesmo quando a pessoa do meu lado bebe aquela Heineken estupidamente gelada (será?) ou devora um pedaço de pizza suculento (nunca fui fã de pizza mesmo). Qualidade de vida que falam, certo? E é isso mesmo. Bebo mais água, como mais frutas e como não posso comer salgadinhos e coxinhas de lanchonetes, acho que minha alimentação tá mais balanceada.

Vida social

Aniversários, casamentos e qualquer evento social são um pé no saco na vida de um celíaco. Tudo, tudo mesmo, é feito com farinha de trigo. E nunca, nunca mesmo, sabem te responder se a parada tem ou não a p*#&$ do glúten! Nas reuniões do trabalho, o lanche é sempre uma pizza, a esfiha ou os lanchinhos assados. Se eu reclamo? Ah, claro! Depois que você decide encarar a dieta a sério, acha que o mundo todo tem que entender isso. E ninguém entende. Você mesmo não sabia o que era glúten antes de descobrir que era alérgico a ele, então imagina os outros? A maldita proteína presente no trigo não faz efeito nenhum no corpo deles. Nem bem, nem mal. Não faz diferença. E por isso mesmo, vem sempre um: “mas só um pedacinho, vai”.

Celíaca, sim!

Não vou montar um movimento, nem levantar a bandeira dos celíacos. Apesar de brincar o tempo todo com isso, a doença é séria e tenho sorte de ter tido o diagnóstico bem cedo. Ultimamente, quando sem querer acabo ingerindo glúten, sinto um mal estar pior do que sentia antes. Tontura, fraqueza, uma moleza… não desejo para ninguém. Por isso mesmo valorizo de verdade o tratamento. Não preciso tomar remédio, nem nada. Mas quanto mais informação e cuidados, melhor.

Uma vez uma colega de trabalho brincou comigo para que eu não falasse a palavra celíaca. Realmente, não é nada bonita e parece nome de doença feia (que doença não é, minha gente?!). Ser apenas alérgica a glúten ou intolerante a glúten é mais elegante. Mas fazer o que? Sou celíaca, sim! E vou passar a escrever histórias e situações bizarras que passo por conta do querido glúten. Além de dividir receitinhas e contar pra vocês os produtos DEMAIS que não levam glúten (Kinder Ovo, por exemplo!).

Um brinde a quem leu até aqui, com uma boa vodca gluten free!

Na modinha

Dizem que a Juliana Paes e um monte de gente famosa tá seguindo uma dieta livre de glúten pra emagrecer. Eu não faria isso, viu! Se seu organismo aceita o glúten de boa, coma sem moderação. E pode ficar tranquilo se depois de ler (se é que você leu) você começou a pensar no que sente quando encara um pratão de macarrão e por aí vai. Parece que o mundo vai virar celíaco! Por isso, aproveitem enquanto há tempo.

Postado por Laila Hallack às 21:17

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sex 06

NYC inspiration #6

abril 2012

Subway music. Os caras mandavam muito!

Postado por Laila Hallack às 01:24

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qui 29

Não desliga

março 2012

Com medo de perder a hora, não dorme direito. Durante alguns dias, precisa acordar bem mais cedo do que de costume. Até o relógio biológico entrar no ritmo, fica nessa. Deita antes do fim da novela, coloca o notebook no colo e promete para si mesma: só mais 10 minutos. Não desconecta nem quando dá logout e desliga a máquina. Deixa a luz acesa para garantir. Vai levantar antes de clarear e nunca se sabe. Programa o despertador para 5 da manhã. No outro aparelho celular, o aviso vai vir em série: 4h30, 4h40, 4h50 5h. Alguma coisa assim. Se não ouvir o primeiro toque, sem erro. Há de escutar algum outro. Tenta dormir e não consegue. Sabe que precisa pegar no sono rápido e isso só piora a situação. O tempo de descanso vai se reduzindo na mesma velocidade com que seu sono vai embora. Remexe, revira na cama sem parar, vai ao banheiro mais uma vez. “A última”, pensa. De repente, acorda assustada. Perdeu a hora? Olha no relógio: nem 2 da manhã ainda! Repara, então, que tinha dormido. Cai de novo no travesseiro e inicia mais um embate para embalar no sono. Até o bipe do despertador gritar estridente, se assusta mais algumas vezes. Não sonha, nem relaxa. Não sabe se apenas fechou os olhos ou se realmente conseguiu dormir. Levanta na hora certa. Sente sono o dia inteiro. “De tão cansada, a próxima noite vai ser mais fácil”, pensa iludida. Os bocejos insistentes que a acompanharam o tempo todo somem de uma só vez quando deita. Mais uma vez, começa a maratona. E ela não desliga.

Postado por Laila Hallack às 01:24

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sex 23

Art Viewers

março 2012

Se me perguntarem o que mais me fascinou nos museus que visitei em NYC, não vou pensar duas vezes. Não espere que eu diga o nome de alguma obra daquelas famosas que todos fazem questão de ver e por menos que entendam de arte, reconhecem de longe. Frida, Van Gogh, Picasso, Matisse. Galera tava bem representada.

Eu poderia destacar ainda as instalações curiosas que até agora não consegui compreender ou os espaços para fotógrafos contemporâneos com trabalhos de deixar o queixo caído. Na visita que fiz com o cronômetro acelerado pelos andares gigantescos do Metropolitan Museum ou no passeio deslumbrado no MoMa, o que me intrigou estava ali no meio do burburinho de turistas.

A mistura de sotaques e idiomas apenas fazia barulho nas entradas e saídas. Apesar das câmeras penduradas e dos roteiros turísticos posicionados como mapas (aliás, os mapas são instrumentos indispensáveis para se situar nos museus e se você for como eu, ainda assim corre o risco de se perder diante de tantas indicações didáticas gritando à sua frente!), o silêncio de admiração e contemplação reina nos centros artísticos da cidade mais agitada do mundo. Redirecionei o foco da câmera e precisei registrar o que meu olhar mais enquadrou: a atitude perante a arte.

Visitantes solitários. Afinal, nada melhor do que ir sozinho a um museu.

Até o segurança dá uma pausa e espia a escultura que, com certeza, vê todos os dias.

Pinturas celebridades ganham mais atenção. Ou pelo menos, parecem ganhar.

Quando deveria pensar sobre o que estava ali, com data, nome do artista e uma breve explicação, me pegava imaginando o que diabos estaria passando na cabeça das pessoas. Os olhares tensionados, tantas vezes vazios, se perdiam num movimento que jamais conseguiria captar. Instigada, me contive com as fotografias. E por alguns momentos, vi arte nisso.

Postado por Laila Hallack às 09:34

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sex 23

Black and white

março 2012

Postado por Laila Hallack às 00:01

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qua 21

NYC inspiration #5

março 2012

Pra colorir a quarta-feira!

Postado por Laila Hallack às 14:24

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seg 19

Escrivaninha

março 2012

Antes de mais nada: por favor, tentem ignorar o copo com Bella e Edward (agora é que vocês vão ver, eu sei) que eu ganhei na locadora, haha! Taí parte da minha escrivaninha pra mostrar as bobagenzinhas que curto. O móvel com cara de antiguinho (fiquei devendo a foto geral) era da minha irmã, mas reformamos e pintamos de pink – cor pouco presente, né?

Relógio ao lado das bonequinhas que minha mãe me deu. Pra balancear a pressa e a correria com a tentativa de ser mais relax.

Uns lascadinhos porque ninguém é perfeito e já tá na hora de retocar! =D

No Fashionismo, vários posts com escrivaninhas pra gente se inspirar: aqui, aqui e aqui.

Postado por Laila Hallack às 13:12

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dom 18

Música

março 2012

O som que vibra no meu coração não segue a batida do rock, o embalo do pop e muito menos o gingado do samba. Não entoa versos românticos, nem canta refrões grudentos. O ritmo vem diferente, não se parece com rap, muito menos com música clássica. Agita a solidão, mas não chega a sacudir multidões. Lá dentro, ecoa uma música estridente, que arranha a mais profunda certeza e derruba a mais forte convicção. A sinfonia deixa sem graça. Notas desafinadas que se revelam numa harmonia surpreendente.  Som alto que só eu consigo escutar. Regulo o volume, tento controlar a intensidade. Não consigo. Como num grito silencioso, toca onde há muito tempo nenhuma outra canção conseguia chegar.

Postado por Laila Hallack às 10:46

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sáb 17

Art in NYC

março 2012

Nas escolas de inglês pra intercambistas sempre rolam uns programinhas extra-classe pra integrar a galera e incentivar o turismo. Quase sempre são paradas sem graça que ninguém acaba indo – cada um une a sua turma e caça seu rumo, especialmente se você estiver em NYC! Na minha primeira semana uma das atividades era um roteiro por várias exposições de arte em Chelsea – um bairro conhecido pelas infinitas galerias bacanas. E lá fomos nós!

Interessados no free wine and cheese, mas também em nos sentir verdadeiros new yorkers dando pinta nas aberturas das mostras, encaramos o roteiro meio corrido e a caminhada cansativa.

Nas fotos, a obra que me deixou completamente apaixonada! Era toda, todinha mesmo, feita em recortes – e de perto dá pra ver melhor os detalhes incríveis. A qualidade das fotos não é das melhores porque foram tiradas do celular.

Dá vontade de colocar na parede do quarto ou fazer uma tattoo assim! Mesmo tendo ficado pouquíssimos minutos em cada galeria, bebido mais do que devia (de graça, né?), ter se frustrado ao trocar telefone no papelzinho ao estilo comédia romântica, valeu a experiência. Um passeio pra não deixar de fazer em NYC!

Postado por Laila Hallack às 23:42

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