
Quando descobri, desesperei. Ainda na sala de espera para a consulta, contrariando todos os conselhos, abri o exame e lá estava: alguma coisa e a palavra doença celíaca. Na mesma hora, pra piorar minha pré-consulta, dei um Google no celular e, mesmo com a precária conexão 3G, descobri do que se tratava. Alergia ou intolerância a glúten, o que quer que isso significasse, eu não poderia comer mais Cheedar, nem Big Mac, nem pãozinho com manteiga? Nunca mais beberia cerveja? Em menos de 5 minutos, chorei, liguei para a minha mãe e desabafei com a secretária. Em poucos dias eu ia viajar para passar um mês em NY! Isso não poderia ser verdade. Na consulta, explicações e mais orientações que só me faziam ficar triste.
Depois do susto, tirei um mês de folga. Quase não segui as restrições, comi o que tive vontade, bebi muita Corona e não resisti aos Kit Kat, cup cakes da Magnolia, chocolates do Max Brenner e tudo de mais gostoso que vi. Pareci alguém depois de usar muito drõgas ao comer no Mc Donald`s e, sim, passei mal como sempre vinha passando nos últimos anos sem saber o motivo. Mas agora eu sabia.
Na volta à realidade, tomei uma decisão. A fala “nossa, mas você não pode comer nada então!” que escuto toda vez que conto para alguém que não posso ingerir glúten passou a ser respondida com mais segurança e bom humor. Descobri que há uma infinidade de coisas gostosas com o NÃO CONTÉM GLÚTEN que tanto me faz feliz. Viciei em Ruffles (e já enjoei!), passei a amar ainda mais as boas e velhas fritas, comi muito Eskibon e vi que ser saudável é bem mais fácil do que parece.
Sou obrigada a controlar o que como, a olhar a embalagem toda vez que compro um produto e a ser bem chata nos restaurantes e bares – um post sobre isso depois, porque ainda tem muito lugar que trata o cuidado que tenho como se fosse uma exigência desnecessária, enquanto (graças a Deus!) há lugares exemplares pra quem tem algum tipo de alergia ou restrição alimentar. Antes, eu passava mal com frequência. Comia um pouco e ficava estufada como se tivesse comido beeeeem mais, tinha dor de barriga direto (ah, se abri um diário, bora falar com franqueza os sintomas dessa bagaça!) e engordava e emagrecia num efeito sanfona assustador.
E hoje? Ainda não me acostumei, mas a diferença na minha vida é tão gigante que não penso em “sair da dieta” nem um diazinho que seja. Nem mesmo quando a pessoa do meu lado bebe aquela Heineken estupidamente gelada (será?) ou devora um pedaço de pizza suculento (nunca fui fã de pizza mesmo). Qualidade de vida que falam, certo? E é isso mesmo. Bebo mais água, como mais frutas e como não posso comer salgadinhos e coxinhas de lanchonetes, acho que minha alimentação tá mais balanceada.
Vida social
Aniversários, casamentos e qualquer evento social são um pé no saco na vida de um celíaco. Tudo, tudo mesmo, é feito com farinha de trigo. E nunca, nunca mesmo, sabem te responder se a parada tem ou não a p*#&$ do glúten! Nas reuniões do trabalho, o lanche é sempre uma pizza, a esfiha ou os lanchinhos assados. Se eu reclamo? Ah, claro! Depois que você decide encarar a dieta a sério, acha que o mundo todo tem que entender isso. E ninguém entende. Você mesmo não sabia o que era glúten antes de descobrir que era alérgico a ele, então imagina os outros? A maldita proteína presente no trigo não faz efeito nenhum no corpo deles. Nem bem, nem mal. Não faz diferença. E por isso mesmo, vem sempre um: “mas só um pedacinho, vai”.
Celíaca, sim!
Não vou montar um movimento, nem levantar a bandeira dos celíacos. Apesar de brincar o tempo todo com isso, a doença é séria e tenho sorte de ter tido o diagnóstico bem cedo. Ultimamente, quando sem querer acabo ingerindo glúten, sinto um mal estar pior do que sentia antes. Tontura, fraqueza, uma moleza… não desejo para ninguém. Por isso mesmo valorizo de verdade o tratamento. Não preciso tomar remédio, nem nada. Mas quanto mais informação e cuidados, melhor.
Uma vez uma colega de trabalho brincou comigo para que eu não falasse a palavra celíaca. Realmente, não é nada bonita e parece nome de doença feia (que doença não é, minha gente?!). Ser apenas alérgica a glúten ou intolerante a glúten é mais elegante. Mas fazer o que? Sou celíaca, sim! E vou passar a escrever histórias e situações bizarras que passo por conta do querido glúten. Além de dividir receitinhas e contar pra vocês os produtos DEMAIS que não levam glúten (Kinder Ovo, por exemplo!).
Um brinde a quem leu até aqui, com uma boa vodca gluten free!
Na modinha
Dizem que a Juliana Paes e um monte de gente famosa tá seguindo uma dieta livre de glúten pra emagrecer. Eu não faria isso, viu! Se seu organismo aceita o glúten de boa, coma sem moderação. E pode ficar tranquilo se depois de ler (se é que você leu) você começou a pensar no que sente quando encara um pratão de macarrão e por aí vai. Parece que o mundo vai virar celíaco! Por isso, aproveitem enquanto há tempo.
Postado por Laila Hallack às 21:17
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Tags alimentação, doença, doença celíaca, glúten, gluten free, saúde