“Eu daria tudo que eu tivesse pra voltar aos dias de criança. Eu não sei pra que que a gente cresce se não sai da gente essa lembrança”. Não entendo de samba, mas não foi com os versos de “Ai, meus deus, que saudade da Amélia” que Ataulfo Alves ganhou minha simpatia. “Aquilo sim é que era mulher de verdade” faz parte de uma das suas canções mais conhecidas. Mesmo sem vaidade, Amélia ganhou o mundo. Mas foi lá nas palavras sobre sua infância “aos domingos, missa na matriz da cidadezinha onde eu nasci” que ele me conquistou.
Nessa poucas andanças por Minas, tenho visto cada cantinho como o descrito pelo artista. Só sossego, um velho na praça a observar o movimento que não existe e poucas crianças brincando na praça. Sempre uma praça, uma igreja e lembranças de um tempo antigo que parece vivo. Gosto de agitação, mas a simplicidade que reina nesses lugares é atraente, bem mais do que as histórias tão ricas que cada um deles revela.
Em Miraí, hoje com pouco mais de 18 mil habitantes, só um ganhou tanta notoriedade quanto o sambista. Ataulfo Alves é filho ilustre, como sempre é dito (e direi amanhã na Agenda Cultural!). Mais do que ter incorporado a boemia do Rio e a cadência do samba, dizem que foi seu jeito mineiro que o diferenciou. Ele sabia das coisas. E não há verdade mais absoluta que seu último verso de “Meus tempos de criança”: “Eu era feliz e não sabia”.
Postado por Laila Hallack às 14:18

