Bom dia! Os cumprimentos, por mais educados que sejam, saem no automático. Acorda, levanta, faz, deita e dorme. Uma rotina engessada em neuras e preocupações. Complicada e vazia. Simples assim. A reza sai decorada. E vem apenas nos momentos de desespero. O riso é quitado no crédito quando pede as bebidas do fim de semana. O saldo não preocupa. Os amigos, todos longe, agora são virtuais. No espelho, o reflexo da única presença real em sua vida nem é notado. Senão para escovar os dentes e pentear os cabelos, mal se percebe à sua frente. Corre, estressa, grita, chora, mas não sente. Não anda mais de ônibus apenas para pensar durante o trajeto. Não sonha mais acordado. Não joga bola no campo do bairro de interior. Nem bebe cerveja com os amigos do tempo de faculdade. Desistiu do violão. Acha poesia a maior baboseira. Aperta a gravata, acerta o paletó e, sem olhar nos olhos, se despede do velho porteiro. No automático, mais um dia. Sem cor, sem sentido. Sem vida.
Postado por Laila Hallack às 23:25
