2 de setembro de 2016

Meditando por 30 dias

Há anos escuto o mesmo conselho. “Você precisa meditar”, repetia a terapeuta em cada sessão. Até o médico constantemente fazia a recomendação.

calm

Apesar dos avisos que insistiam em dar, nunca conseguia inserir a prática na minha rotina. Sempre deixei pra depois.

As mais conceituadas instituições de ensino e pesquisa já comprovaram os benefícios dela. Não só pra trazer calma, tranquilidade ou o que quer que seja. Uma pessoa que medita é menos tensa e mais saudável. Os resultados impressionam e incluem, a longo prazo, modificações do cérebro, alterações no sistema imunológico e por aí vai. “Comece com 20 minutinhos todo dia”, ela me incentivava. 20 minutos? Quem tem esse tempo para parar e ficar simplesmente quieto?

 

Essa era a ideia que eu tinha da meditação…

Eu tenho tanta coisa para fazer, mas… peraí! Quantas horas perco navegando nas redes sociais? Perco, sim, porque convenhamos, muito do que fazemos online não é lá uma necessidade (tirando ler o blog!). Ao contrário da meditação que parecia ser mesmo uma urgência.

Decidi, então, parar de resitir e resolvi tentar.

PRIMEIRO DIA

Escolhi o lugar mais quieto da casa. Na varanda, em frente às montanhas, rodeada de verde, embalada pelo canto dos pássaros e do vento batendo nas árvores, lá fui eu. Fechei os olhos e pensei: o que há de tão difícil em se concentrar na própria respiração? Se os pensamentos vierem, é só deixar passá-los.

O problema é que eles não chegaram como eu imaginei que fariam. Eles pipocaram. Me atropelaram velozmente. Em menos de um minuto – posso estar exagerando, pois logo no começo a minha percepção de tempo mudou e o passar dos segundos ficou desesperadoramente penoso – devo ter pensado no que tinha para fazer, no que tinha acontecido comigo, no diálogo que tinha tido com inúmeras pessoas e em coisas que nem sequer sabia ter na minha cabeça.

chaos

O silêncio que sempre me encantou naquela varanda foi substituído por todos os barulhos possíveis. As louças na cozinha. A televisão na sala. Os cachorros do vizinho. Os passos de alguém em algum cômodo da casa. Tudo parecia estar dentro da minha cabeça. Socorro!

A qualquer distração, tratava de me concentrar de novo no vai e vem do ar dentro de mim. As palavras de um texto começaram a surgir. Tive vontade de abrir os olhos e sair correndo para o computador escrever o que – não sei como – começava a criar ali. Fui forte. Me disseram que seria assim. Preciso treinar minha mente, dizia para mim mesma. Fique quieta, também repetia na tentativa de encontrar alguma quietude naquilo.

Mesmo de boca fechada, sem pronunciar uma única sílaba, como sou tagarela! Nesse embate, tive alguns poucos segundos de paz.

Quando finalmente parecia relaxar, uma coceirinha começou a incomodar o meu ombro. Será que posso me mexer? Não. Vai passar, controle-se. E não passava. Desisti. Naquela mesma posição, meti a mão onde tinha a sensação de estar sendo cruelmente atacada por algum inseto.

Fechei os olhos novamente até que cansei de lutar contra a minha mente e o insuportável bichinho. A orientação não era deixar que os pensamentos tomassem o curso deles naturalmente? Fiz isso. Em vão… No mesmo instante, o apito do despertador me libertou daquele íntimo tormento. É, eu estava cronometrando os 20 minutos.

Ainda estava longe de sentir algum resultado, mas pelo menos tinha começado a escrever sobre.

MAIS POSTS SOBRE:

  1. Cledson Campos

    Muito bom, sensaciona.

  2. Carolina

    Amei, você escreve muito bem fiquei até inspirirada, acho que irei começar.

  3. Álvaro

    Excelente tema, Lailoca. =)
    Também tenho uma resistência enorme em meditar. Vai postar sobre o avançar dos dias meditando? Ansioso! ^^
    bjs.

Deixe seu comentário!