15 de novembro de 2016

O encanto das nossas fraquezas

Laila Hallack Ser de verdade

De todos os posts que já publiquei, não só no blog, o que mais gerou repercussão foi o que falei abertamente sobre o transtorno de ansiedade. Não falo só de números. Essa história de contabilizar acessos é nova pra mim e ainda está longe de ser o mais importante aqui. Falo das mensagens e dos comentários que recebi, das pessoas que dividiram histórias parecidas e, de certa forma, me fizeram perceber que não era preciso ter relutado tanto para me abrir.

Num ambiente de aparências como a internet, em que todos parecem tão felizes, expor as nossas fraquezas nos aproxima uns dos outros.

E é libertador! Como em tudo na vida, na internet também assumimos papéis e interpretamos parte do que somos. A parte boa, claro. Não só os blogueiros fazem isso. Em nossos perfis pessoais, quase sempre preferimos mostrar os alegres momentos em família do que compartilhar os perrengues que enfrentamos juntos. Faz sentido. Nenhuma rede social é divã pra gente sair despejando os nossos problemas, mas não parece ser nem um pouco saudável ter que manter as aparências de que “tá tudo bem” o tempo todo. A vida de ninguém é assim.

Laila Hallack Máscaras

Os relacionamentos tendem a parecer tão perfeitos no nosso feed, com declarações e fotos a dois, que ainda nos espantamos com os términos de casais que eram tão perfeitos juntos. As selfies são a maior prova de que queremos ter o controle de tudo no mundo virtual. Poder escolher o ângulo que nos favorece também é uma forma de decidir como queremos parecer. Manipulamos não só as imagens, já pararam para pensar?

Laila Hallack Not perfect

Marilyn Monroe tinha razão: sem os memes e as tretas políticas, a internet seria a definição de boring!

O estudo da palhaçaria me fez querer descobrir o encanto das minhas fraquezas. Elas é que farão o outro rir de mim, ora! Não só vestindo o nariz vermelho que a nossa fragilidade pode nos tornar únicos. A nossa vulnerabilidade nos faz mais interessantes sempre, mas como é difícil nos despir das máscaras para alcançar a nossa verdadeira face!

Apesar de toda a sua complexidade, quando isso acontece, temos grande chance de gostar do que descobrimos. E, aí, devemos, sim, mostrá-la. Mesmo que as pessoas ainda se espantem com isso, nem tudo é como parece. Quer constatação mais óbvia e, ao mesmo tempo, tão necessária?

Ser de verdade numa sociedade tão superficial é um ato de coragem.

Laila Hallack Ilustração

Curiosamente, esse dias descobri que a origem da palavra coragem (me corrijam se eu estiver errada) vem de coração. É onde está a nossa essência, simples assim. Longe do alcance dos outros, afastada de qualquer necessidade de aprovação. Sem curtidas ou visualizações de ninguém, senão a nossa própria.

Mais piegas do que isso, impossível, mas talvez aí esteja uma parte de mim que tento esconder do mundo. A Laila em busca de si mesma é um clichê puro.

E você?! Qual a sua versão que ainda não foi postada?

Compartilha aí, vai.

 

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