23 de agosto de 2016

Arte em papel

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Muitos posts que ainda vou publicar surgiram quando eu menos esperava. Como toda jornalista, tenho mania de anotar tudo o tempo todo. Ainda bem que eu sempre carrego comigo meus caderninhos. Tenho uma coleção deles. Um em cada bolsa. Um em cada canto do quarto. E uma gaveta cheia de páginas em branco esperando para que um dia sejam preenchidas. Pensamentos, frases, listas, esboços de desenhos (sim, eu faço alguns rabiscos também, só não mostro pra ninguém!).

Mais do que ter por perto um lugar onde registrar as ideias que aparecem, colecioná-los é também guardar a minha memória… e ajudá-la (se não anoto, esqueço!). Por mais que pareçam objetos tão simples, antes mesmo de chegar em nossas mãos, muitos passam pelas mãos de artistas e artesãos que fazem deles pequenas obras de arte.

Preparei três posts com marcas que curto. É até estranho falar marca, já que o processo utilizado por elas não tem nada de industrial. Para conhecer os seus criadores, não pude deixar de perguntar: o que poderíamos encontrar no caderno deles? Afinal, o que registramos diz muito sobre quem somos!

Arte em papel

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“Qual a próxima reforma?
Quais são os planos futuros?
O passado me condena!”

Apesar de não gostar muito de entrevistas (quando estava na televisão era difícil conseguir que ele falasse!), Renato Abud aceitou responder às minhas perguntas por e-mail. Um dos criadores da Papelada mostrou-se ainda mais criativo no e-mail que recebi, a começar pela citação que poderíamos descobrir em um dos seus moleskines. Ao perguntar sobre qual linha ou coleção destacaria, foi intrigante ao dizer: “A do momento ou a do momento seguinte. Sempre deixo um parênteses. Uma vontade…”.

As respostas me surpreenderam como tudo que ele faz. Apesar das facilidades e da urgência da tecnologia, Abud acredita que o hábito de se fazer registros no papel jamais se perderá. Para ele, o apego ao material concreto, a necessidade da escrita, do desenhar e do rabiscar serão sempre inerentes aos seres humanos. “Ainda somos homens das cavernas, mesmo que umas tenham wi-fi e outras não”.

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A Papelada surgiu de uma subdivisão da Manufato Arte em Papel. Nos anos 90, enquanto as chamadas boutiques de papel importavam novidades, a empresa bolava seus próprios produtos, abastecendo a loja e distribuindo para outras cidades do país. Com papel, também criavam (e ainda criam!) caixas, cadernos, álbuns, blocos, convites, cardápios, malas, móveis pequenos e o que mais for possível.

Algumas imagens que ilustram as capas são trabalhadas no computador, outras são impressas em serigrafia, em cianotipia (processo fotográfico), colagens ou relevos. “Existe uma coerência na formação das imagens já que estes estilos fazem parte do meu vocabulário”.

Páginas ou telas?

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Em uma de suas exposições, o artista utilizou os livros como suportes. Interferências de origami, de impressão serigráfica e laser foram feitas nas páginas. “Como nas cadernetas, porém com um apelo mais ‘arstístico'”. Não sei. Apesar dos diferentes fins para qual são destinadas, ambas são arte. Por ter uma produção autoral, ela é “permeada pela vontade do momento!”. O artesão (ainda não sei como é mais apropriado chamá-lo) utiliza materiais como papel, couro, tecidos de algodão, sublimados, silkados impressos e “o que vier pelo caminho”.

As técnicas mais comuns são costura japonesa, brochura e bradel. “Como não produzo em grande escala, me dou ao luxo de aproveitar estes momentos, criando produtos exclusivos e aproveitando para aprender novas técnicas”.

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E para quem são os cadernos da Papelada? “Pra quem gosta de ver com os olhos, com as mãos e, principalmente, para quem respeita a confecção artesanal”. Eu completaria: para quem quer, de alguma forma, ter acesso ao universo de um artista que se dedica a este ofício com tanto primor, criatividade e originalidade.

  • Enquanto aguarda a criação de um site de vendas, as encomendas são feitas diretamente nas redes sociais da Manufato.

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  1. Luiz Chafi

    Ótimo olhar sobre os detalhes da vida. Artesanato em papel nos tempos de redes virtuais é exemplo de sabedoria e gosto pela vida .Parabéns pela montagem deste site…

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