18 de outubro de 2016

Por que meditar?

Esqueça todos as reportagens e artigos científicos que você já leu sobre os benefícios da meditação. Se nem assim você se tornou uma pessoa que medita, você não entendeu nada. Eu não entendi. Ou não tinha entendido.

Laila Hallack Meditação

Depois de me desafiar a meditar por 30 dias (ia postar todo o processo, mas achei melhor jogar a real logo), me perguntem quantas vezes preferi ficar no celular a meditar? Quantas vezes dormi mal porque não me desconectei (nem da internet ou dos pensamentos)? Quantas vezes confabulei sobre os problemas em vez de parar por poucos minutos? Quantas vezes esqueci de, simplesmente, respirar? Não que seja possível fazer isso, senão eu nem estaria aqui escrevendo. Vocês entenderam.

Em 30 dias, fui disciplinada como nunca e meditei rigorosamente quase todos os dias. Foi uma experiência incrível, mas não virou rotina. Longe disso.  Mesmo tendo experimentado sensações tão boas, sigo alheia a essa que poderia ser a minha salvação. Antes de atingir níveis mais profundos da prática, parei.

Se nem eu que prometi defender a prática publicamente medito como gostaria, por que meditar?

Laila Hallack Medita

Na música, a cantora de voz suave e doce (mais tarde descobri se tratar de uma dupla de jovens cantoras chamada Anavitória: Ana e Vitória) entoa: “Eu confiei, nem despertei. Silenciei meus olhos por você. Me atirei, precipitei”. O sentido da letra é outro, mas não consegui parar de pensar nela. Como é difícil silenciar os olhos! Aquietar os sentidos.

Diferente dos versos, ao confiar, se entregar ao mais simples silêncio, nos despertamos. Não é o que dizem? Loucura é não se atirar para dentro de si. Não há nada de precipitado em fazer isso. Sábios são os que se dedicam a esses momentos.

Fernando Pessoa

Entendo Fernando Pessoa quando escreveu “quem tem alma não tem calma”, mas fico me perguntando como seria o poema se ele meditasse. Talvez não teríamos acesso a sua vasta obra, movida por sua intensa angústia quase sempre expressada por outras vozes. Queremos viver assim? Meditar é também assistir à nossa própria paisagem, mas ao contrário do poeta português que tanto se estranha, ao fazer isso acabamos nos reconhecendo.

A ação vigilante nos liberta de uma existência puramente material. Quem pensa demais, não tem paz. A alma, no caso, significa o apego a essa condição intelectual. E não é mesmo? Só podemos viver na plenitude quando conseguimos abrir mão das impurezas que cultivamos na nossa mente. Isso parece ser possível com a meditação. Somente assim desconstruímos as ilusões que nos causam sofrimento e expandimos a nossa consciência.

Fernando Pesssoa e as meninas do chamado pop rural me fizeram encontrar a resposta que tanto procurava. Eu me aproprio das palavras que, evidentemente, são sobre um relacionamento para dizer porque devemos meditar. Porque devo e vou meditar.

“Agora eu quero ir pra me reconhecer de volta… pra me reaprender e me apreender de novo”.

Experimente escutar a música pensando na meditação e no relacionamento que temos com nós mesmos. Faz sentido também, não?! Ou estou viajando?

  1. Luiz Chafi

    Mineiramente refletindo como se fosse um brainstron , ou melhor um toró de ideias … Uma coisa e DESPLUGAR nas horas certas para convivência social ou um tempo para consigo mesmo…Outra coisa é o ato de meditar, que muitos julgam relaxamento , mas na verdade é um exercício de concentração ,num VAZIO… que os tempos modernos nos encucam como ALIENAÇÃO DA TECNOLOGIA….Para mim a meditação é a oportunidade do ENCONTRO CONSIGO MESMO COM SINTONIA COM O UNIVERSO.. Mas isto ai é outro texto…oportunamente… Quanto a postagem de hoje Mais uma vez envolvente e deixando para os leitores assinar o final.( com se fosse eles os autores ) > Síndrome de Rubens Alves
    De um pai crítico

    • Laila Hallack

      Agora percebo a diferença! Há muito o que descobrir, pensar e escrever sobre a meditação… Mas, primeiro, melhor praticar, né? Obrigada pelos comentários de sempre, pai! Você é demais.

  2. Guido

    Também estou descobrindo só agora os benefícios da meditação. Talvez o Fernando Pessoa meditasse: meditar não vai nos impedir de sentir angústia, só vamos estar mais conscientes de que estamos angustiados. Acho até que pra fingir que é dor uma dor que deveras sentimos temos que meditar sobre a dor. Ninguém escreve poema aos prantos…escrever pode ser uma forma de meditar. Aceitei sua sugestão e dei uma segunda chance pra Anavitoria (não tinha gostado da primeira vez que ouvi) – valeu a pena.

    • Laila Hallack

      Oi! Bem colocado! Fernando Pessoa sabia mais sobre si mesmo do que a gente imagina. Para conseguir ter heterônimos tão complexos e completos… Pensando por esse lado, escrever é a meditação que mais me coloca diante de mim. Fazer e ouvir música também é uma forma de nos encontrar… e de nos perder, no melhor sentido. Não conheço outras canções delas, mas essa em particular ficou “martelando” na minha cabeça. Achei doce, achei gostosa… rs Obrigada pelo comentário!

      • Guido

        Pois é! Acho que ele meditava sem saber, heheh. Sim! Deitar e ouvir um CD ou mesmo uma música, fazendo só isso, também pode ser meditação. No seu caso, aposto que “meditou” um pouco antes de escrever esse belo texto. Não há o que agradecer 🙂

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