30 de março de 2017

Precisamos falar da doença celíaca

Megaphone Vintage

Enquanto houver uma pessoa que nos olhe com desdém quando dissermos que não comemos glúten. Enquanto houver alguém que não saiba o que é glúten. Enquanto um profissional de saúde na emergência de um hospital me perguntar se batata tem glúten (pois é, aconteceu).

Enquanto houver algum médico que diga ao seu paciente celíaco para comer glúten de vez em quando que não lhe fará mal. Enquanto houver um médico sequer recomendando a retirada do glúten sem antes descartar todos os diagnósticos possíveis. Enquanto houver um (a) nutricionista fazendo a mesma coisa.

Enquanto existirem restaurantes que se dizem sem glúten comercializando produtos que tenham ingredientes com glúten. Enquanto nossa família não se contentar apenas em comer glúten, mas insistir para que façamos o mesmo. Enquanto existir um farelo de pão próximo de nós.

Enquanto as escolas não atenderem os alunos com restrição alimentar. Enquanto os locais onde trabalhamos não nos incluírem nas confraternizações. Enquanto os hotéis não oferecerem opções para o hóspede celíaco. Enquanto nossos amigos não compreenderem as nossas dificuldades. Enquanto o (a) nosso (a) companheiro (a) preferir beber cerveja a poder nos beijar.

Enquanto os restaurantes não treinarem os seus funcionários para, no mínimo, responderem nossas perguntas. Enquanto quiserem usar o “sem glúten” simplesmente para vender mais sem reconhecer que este tipo de inscrição tem uma finalidade clara na lei: proteger quem realmente tem problema com ele.

Vintage Megaphone

Enquanto a indústria alimentícia não separar o maquinário, nem se atentar aos fornecedores da matéria-prima dos produtos. Enquanto as pessoas que cortam o glúten para ter a barriga chapada forem mais respeitadas pelo mercado do que aquelas que fazem isso para sobreviver. Enquanto o pão sem glúten for tão diferente do pão com glúten.

Enquanto nossas dificuldades com a doença superarem a nossa melhora após o diagnóstico a ponto de nos fazerem esquecer disso.

Enquanto pessoas tiverem que sofrer, adoecer e quase morrer antes de ter um diagnóstico correto. Enquanto falar de morte pela doença celíaca parecer exagero. Enquanto tudo que fizermos parecer exagero…

Enquanto o “naturalmente isento de glúten” ou o “pode conter traços de glúten” forem maioria. Enquanto essas coisas continuarem acontecendo, precisaremos falar da doença celíaca. E, pelo visto, ainda será por muito tempo!

Como diria Ester Benatti – vice-presidente da Acelbra RS e secretária executiva da Fenacelbraquem não chora não mama. Nós, celíacos, não só queremos, como também temos o direito de “mamar”. Lamentar todas essas situações entre nós alivia a dor, mas gritar ao mundo o que sentimos pode ajudar a conscientiza-lo. 

MAIS POSTS SOBRE:

Deixe seu comentário!