8 de setembro de 2016

Recado ao glúten

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Querido glúten,

Querido nada, para mim você é a pior invenção da natureza, do homem ou seja lá o que for. Peço desculpas pela agressividade, mas estou um pouco cansada de você. Tá bem, sei que você não é o vilão como muito tem sido dito por aí nas manchetes sobre a mais recente dieta da moda das estrelas. Por muito tempo me alimentou sem que eu sequer me queixasse disso. Você faz parte dos ingredientes das receitas bíblicas. Na escritura sagrada, são tantas referência ao maldito pão! Que Deus me perdoe, mas não há outra maneira de me referir a ele. A você também, maldito glúten!

Eu, que jamais me deixei abater por você, não aguento mais. Há mil e um alimentos livres da mais conhecida proteína da atualidade. Mas, não contente em me fazer mudar minha alimentação, você surge quando não deveria. Aparece nos temperos, no óleo reutilizado dos restaurantes, gruda nos utensílios da cozinha e insiste em me derrubar quando menos espero.

Minha vista não se cansa em procurar as letrinhas mágicas que aguçam o meu paladar a cada “Não contém glúten”. Eu é que estou cansada. Não de ficar sem comer em restaurantes, festas e eventos sociais, muito menos de perguntar desconfiada sobre os ingredientes de todos os pratos. É assim o tempo todo e em todos os lugares. Graças a você, me tornei uma chata. Me acostumei com os comentários daqueles que não entendem tamanha preocupação e sou muito mais feliz longe de você. Entenda minha franqueza.

Minha casa é o único ambiente seguro, onde posso respirar, ou melhor, comer tranquila. Fora disso, alimentar se tornou uma tarefa extremamente perigosa e, muitas vezes, praticamente intragável. Se você, glúten, pudesse ao menos se resguardar e dar as caras apenas onde deveria… eu seria eternamente grata.

A culpa não é só sua, eu sei. É da indústria alimentícia que te coloca em tudo quanto é produto e prefere economizar a utilizar equipamentos separados para alimentos que não contém glúten. É dos cozinheiros e chefes de cozinha despreparados. Dos insensíveis e mercenários donos de restaurantes que consideram o celíaco um cliente dispensável, como se não tivéssemos o direito de consumir (pelo menos é o que sinto na maioria dos estabelecimentos que vou). É, principalmente, culpa da falta de informação. E olha que você ficou famoso de uns tempos pra cá.

Há exceções. Felizes e saborosas exceções.

Mas enquanto ainda acontecer comigo o que busco evitar com a disciplina de um monge. Enquanto eu for obrigada a ficar de repouso por ter te ingerido, glúen. Ah, enquanto o sacrifício feito com um sorriso no rosto na busca pela saúde der lugar a lágrimas… eu precisarei ter essa conversa séria com você.

Grata pela atenção!

 

Escrevi esse texto tem um tempinho, mas ele está mais atual do que nunca. Os celíacos sabem do que estou falando…

MAIS POSTS SOBRE:

  1. Thereza Rampinelli

    Laila,

    Adoro os teus textos. Todos com ritmo de uma boa conversa de amiga. Parabéns!
    Thereza Rampinelli

  2. Luiz Chafi

    Se eu fosse um glúten. responderia em uma única palavra ; MAGOEI .

  3. ANA PAULA FONSECA CARNEIRO MONTEIRO

    oi Laila, também sou celíaca e alérgica a um monte de coisas. hoje ainda tive uma infeliz conversa com uma pessoa que me disse que os locais de eventos fazem comida livre de glúten, tentei argumentar quando ela falou que a pessoa celíaca toma um comprimido, é difícil a falta de informação e o desrespeito. Dá uma olhada no nosso trabalho: http://www.anamonteiroalimentos.com.br, f/AMSemglutenSemleite, insta: ana_monteiro_alimentos.
    vamos nos unir para tentar mudar o nosso país que está bem atrasado nestes quesitos.
    abraços
    ana paula

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