24 de outubro de 2016

Ser ou não ser blogueira

Ser ou não ser blogueira, eis a questão. Questão essa que ainda me faz pensar duas vezes antes de pronunciar a palavra. Por que tenho tanto receio em assumir o que faço agora?

Laila Hallack

O olhar receoso da minha mãe pode ser um dos motivos. Para ela e para muita gente, ser blogueira é postar look do dia, andar toda produzida, ganhar mimos o tempo todo e viver uma vida de glamour. Vazia, superficial e fútil. Não que eu pense isso das blogueiras e de quem faça tudo isso.

Antes da criação dos blogs, as pessoas já gostavam de ver gente bonita, feliz e bem vestida.  A revista Caras que o diga… Sei que o buraco é bem mais embaixo e que as aparências enganam (ninguém é só o que parece ser nas redes sociais!). A lógica é simples. Elas mostram o que os seguidores querem ver. O que dá audiência. O que vende. E não há problema algum nisso. Ou há?!

Menos tendência, mais essência

Laila Hallack Real Life

Sem filtro: Greg Guillemin mostra super heróis, ícones pop e princesas como nunca vimos!

Por mais que no feed muitas delas pareçam irretocáveis, sabemos que não são assim. Ninguém é. Graças ao Snapchat foi possível conhecer as pessoas por trás das fotos perfeitas do Instagram. Quanto mais elas saem dos personagens e assumem suas facetas reais, mais gostamos ou não delas. Esse é o barato. Se identificar! Seja pelo que pensam, falam, por aquilo que gostam, fazem, comem, vestem… pelo que são, de verdade. E é essa verdade que diferencia a internet de outras mídias, que permite nos aproximar tanto das pessoas.

Sempre li e segui blogueiras dos mais diferentes nichos. De fitness, moda e beleza (aprendi a me maquiar assistindo tutoriais!) a culinária, decoração, cultura e feminismo. E confesso: por mais diferentes que sejam, tenho a sensação de que sou amiga de todas elas. Talvez cada uma traga em si algo que eu gostaria de ser, mas isso não vem ao caso. Não agora.

Laila Hallack Branca de Neve

Responsabilidade

Reconheço o impacto da disseminação de vidas plastificadas na cabeça de milhares de meninas. Eu mesma me frustro toda vez que olho no espelho e não vejo a barriga da Pugliesi. Por sorte, a decepção passa rápido (sei que essa não é a minha prioridade, embora continue a seguindo na tentativa de me incentivar a fazer mais exercícios!), mas não é assim que a banda toca.

Laila Hallack - Greg Guillemin Art

Os conceitos envolvidos nesse mercado são muito delicados: o consumo e a vaidade são apenas alguns deles. É preciso tomar muito cuidado com o que postamos. Falamos de pessoa para pessoa. Na internet, todos temos o poder de influenciar, o que diferencia é quem influenciamos, quantos influenciamos e como influenciamos… O mais importante, talvez, seja compreender a responsabilidade necessária para se fazer isso com respeito, ética e consciência.

Você em pauta

Por ser jornalista, não tenho como fugir da comparação. Ser blogueira é ser o seu próprio veículo de comunicação. É comunicar o tempo todo. É ter autonomia para conduzir o seu conteúdo como você quiser. Decidir as matérias posts que quer fazer, definir o seu direcionamento comercial e determinar a sua linha editorial. É ter a sua vida, as suas preferências e as suas opiniões em pauta. Por mais que existam ferramentas e truques para identificar o que as pessoas querem ler, o que o Google quer que você escreva (e como você deve escrever)… ainda temos liberdade para fazer do nosso jeito. Torcendo e trabalhando para que esse jeito alcance – positivamente – alguém.

Em dois meses de blog (completados ontem!), aprendi a respeitar ainda mais quem atua nesse mercado. Quem faz com profissionalismo, quem faz diferente, quem sabe fazer. Diariamente aprendo uma coisa nova. É um universo fascinante!

 

Sou blogueira também e daí?! Enquanto escrevo, falo isso em voz alta para quem quiser ouvir e começo a gostar do que escuto…

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  1. Cledson Campos

    – Ser ou não ser Blogueira?

    Se acontecer de você deixar de ser blogueira (que eu sei que não acontecerá), você tem textos ótimos, você tem meu e-mail passa pra mim.

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