20 de setembro de 2016

Meditando por 30 dias (parte 2)

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No post anterior sobre o desafio de meditar por 30 dias não cheguei a explicar exatamente que desafio é esse. Na verdade, os 30 dias já passaram tem tempo (só não vou adiantar se consegui ou não completá-lo!). Diante da insistência de tantas pessoas para que eu meditasse, há alguns meses finalmente resolvi tentar. Como toda pessoa sistemática (como eu me entrego nesse blog), precisei estabelecer horários e um período para que fizesse isso. Anotava na agenda e tudo. Hoje sei que é bom ter cuidado para não transformar a prática em mais uma obrigação, mas esse foi o jeito que encontrei para começar logo. No primeiro dia foram tantas sensações que decidi registrá-las como num diário. Só não imaginei que um dia compartilharia tudo isso…

SEGUNDO DIA

O que você faz em 20 minutos? Pega o carro e vai até o trabalho? Se arruma? 20 minutos é tão pouco para meditar, mas parece uma eternidade para mim. Mal fecho os olhos e já começo a contar os segundos. Pra quê tanta ansiedade? Achei que seria mais fácil, mas minha inquietude teima em me fazer companhia. Mais uma vez, fui vencida por ela. Ofegante, interrompi o ciclo das respirações conscientes. Olhei no relógio. Faltava apenas um minuto para terminar. Ah, se não tivesse sido tão afoita.

TERCEIRO DIA

Não meditei. Esqueci.

QUARTO DIA

Não meditei. Estava sem paciência.

QUINTO DIA

Várias formigas na perna e uma abelha no cabelo. “Essa história de meditar no meio do mato ainda vai me causar problema”. Fora isso, tudo normal. Tentando me desligar do mundo e o mundo dentro de mim ainda pulsando, agoniado, abafado. Internamente, pareço navegar numa rede social com mil janelas pipocando. Como se eu clicasse nos pensamentos e deles surgissem muitos outros. Me perco entre tanta coisa. Tá tudo isso dentro de mim? Céus, preciso esvaziar minha mente.

SEXTO DIA

Não sei o que aconteceu, mas foi menos torturante encarar os minutos em silêncio. Observo como minha respiração é agitada, os pensamentos continuam inconstantes, mas pareço encontrar algum sentido nisso tudo. Aumentei a prática para 25 minutos, já que não estou conseguindo meditar mais vezes ao dia. Como se os 20 já não estivessem sendo tão difíceis…

Simplesmente foi bom, será o cansaço?

SÉTIMO DIA

Comecei a notar algumas mudanças na minha vida. Numa situação em que geralmente sentiria o meu coração sair pela boca e o meu peito apertar a ponto de não conseguir respirar, mantive a calma. Não tive palpitações, nem me preocupei. Pra quê me estressar com o que não posso mudar? Posso estar sendo precipitada, mas terá sido um efeito da meditação?

OITAVO DIA

Nos primeiros minutos da prática, a música começou a me incomodar. Nem as mais suaves, com sons da natureza, parecem funcionar mais. Minhas costas doem, mas o peso que antes sufocava o meu peito está mais leve. A respiração, que era interrompida por longos suspiros na tentativa de recuperar o fôlego, começa a acompanhar a melodia de cachoeiras e pássaros. Já nem escuto a música…

NONO DIA

Cochilei durante a meditação. Pesquei, a ponto de me assustar com isso. Seria o cansaço?

DÉCIMO DIA

Continuo tendo a sensação de que estou quase dormindo enquanto medito. Será que estou começando a me desligar? É assim mesmo?

DÉCIMO PRIMEIRO DIA

Não meditei, mas dormi o dia todo e li quase 200 páginas de um novo livro. Alimentei minha alma.

 

Se você não quer passar pelo que passei, vá com calma. Esse vídeo mostra a técnica do “One moment meditation”, ideal para quem quer começar. Nem adiantar dizer que não dá: você só precisa de um tempinho para assistir e 1 minuto para meditar. Depois, quero saber como foi!

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2 de setembro de 2016

Meditando por 30 dias

Há anos escuto o mesmo conselho. “Você precisa meditar”, repetia a terapeuta em cada sessão. Até o médico constantemente fazia a recomendação.

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Apesar dos avisos que insistiam em dar, nunca conseguia inserir a prática na minha rotina. Sempre deixei pra depois.

As mais conceituadas instituições de ensino e pesquisa já comprovaram os benefícios dela. Não só pra trazer calma, tranquilidade ou o que quer que seja. Uma pessoa que medita é menos tensa e mais saudável. Os resultados impressionam e incluem, a longo prazo, modificações do cérebro, alterações no sistema imunológico e por aí vai. “Comece com 20 minutinhos todo dia”, ela me incentivava. 20 minutos? Quem tem esse tempo para parar e ficar simplesmente quieto?

 

Essa era a ideia que eu tinha da meditação…

Eu tenho tanta coisa para fazer, mas… peraí! Quantas horas perco navegando nas redes sociais? Perco, sim, porque convenhamos, muito do que fazemos online não é lá uma necessidade (tirando ler o blog!). Ao contrário da meditação que parecia ser mesmo uma urgência.

Decidi, então, parar de resitir e resolvi tentar.

PRIMEIRO DIA

Escolhi o lugar mais quieto da casa. Na varanda, em frente às montanhas, rodeada de verde, embalada pelo canto dos pássaros e do vento batendo nas árvores, lá fui eu. Fechei os olhos e pensei: o que há de tão difícil em se concentrar na própria respiração? Se os pensamentos vierem, é só deixar passá-los.

O problema é que eles não chegaram como eu imaginei que fariam. Eles pipocaram. Me atropelaram velozmente. Em menos de um minuto – posso estar exagerando, pois logo no começo a minha percepção de tempo mudou e o passar dos segundos ficou desesperadoramente penoso – devo ter pensado no que tinha para fazer, no que tinha acontecido comigo, no diálogo que tinha tido com inúmeras pessoas e em coisas que nem sequer sabia ter na minha cabeça.

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O silêncio que sempre me encantou naquela varanda foi substituído por todos os barulhos possíveis. As louças na cozinha. A televisão na sala. Os cachorros do vizinho. Os passos de alguém em algum cômodo da casa. Tudo parecia estar dentro da minha cabeça. Socorro!

A qualquer distração, tratava de me concentrar de novo no vai e vem do ar dentro de mim. As palavras de um texto começaram a surgir. Tive vontade de abrir os olhos e sair correndo para o computador escrever o que – não sei como – começava a criar ali. Fui forte. Me disseram que seria assim. Preciso treinar minha mente, dizia para mim mesma. Fique quieta, também repetia na tentativa de encontrar alguma quietude naquilo.

Mesmo de boca fechada, sem pronunciar uma única sílaba, como sou tagarela! Nesse embate, tive alguns poucos segundos de paz.

Quando finalmente parecia relaxar, uma coceirinha começou a incomodar o meu ombro. Será que posso me mexer? Não. Vai passar, controle-se. E não passava. Desisti. Naquela mesma posição, meti a mão onde tinha a sensação de estar sendo cruelmente atacada por algum inseto.

Fechei os olhos novamente até que cansei de lutar contra a minha mente e o insuportável bichinho. A orientação não era deixar que os pensamentos tomassem o curso deles naturalmente? Fiz isso. Em vão… No mesmo instante, o apito do despertador me libertou daquele íntimo tormento. É, eu estava cronometrando os 20 minutos.

Ainda estava longe de sentir algum resultado, mas pelo menos tinha começado a escrever sobre.

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