4 de fevereiro de 2020

Entrando numa… “fritas”

Entrando numa fritas

Eu quase NUNCA como fora. Sem exageros. As únicas e raríssimas exceções acontecem em restaurantes exclusivamente sem glúten. Fora isso, nem me arrisco mais. Depois de experiências catastróficas e de entender a gravidade da mais imperceptível contaminação, prefiro pecar pelo excesso. Embora não acredite que seja um excesso priorizar a saúde. Não que eu não saia de casa. Pela companhia até vou com a família e os amigos, desde que não seja numa pizzaria..

De quem faz o questionário, chama o garçom, o gerente, Deus e o mundo e até invade a cozinha pra certificar a segurança do preparo do prato… me tornei a pessoa do rolê que apenas não come. No máximo bebe, o que já tá bem bom.

 

Recentemente numa viagem decidi dar uma chance… ao restaurante ou ao azar?!

 

Era um local mais arrumadinho, o que erroneamente interpretei como: talvez aqui saibam o que é glúten. Estava vazio, o que de forma também equivocada me pareceu que teria menos dificuldades dpara receber um atendimento cuidadoso.

Perguntei da batata frita, do óleo, da embalagem, alertei sobre utensílios, pedi o máximo de atenção. Ministrei aquela aula. A garçonete respondeu: “olhei lá, não contém glúten, o óleo é só da batata, mas ainda assim vou acompanhar tudo na cozinha”. “Eu posso morrer, hein!”, reforcei numa tentativa desesperada de dizimar qualquer chance de erro no processo. Quanta inocência!

Na minha cabeça já estava me sentindo a pessoa mais aventureira, ao ritmo de “o meu lema é ousadia e alegria…”, comecei a mentalizar pra que não passasse mal, me culpei pela suposta coragem, respirei fundo, será que tô fazendo isso só pra que não pensem mal de mim, nem tô com tanta fome assim, ah, mas uma batata, não é possível, eu já me cuido tanto…

Meus pensamentos vieram como uma enxurrada. Era como se eu voltasse a ser aquela celíaca irresponsável ou, pra não ser tão cruel comigo mesma, tão desinformada que um dia já fui.

Rihanna

De repente, chega outra atendente. “Você que é a alérgica ao glúten?”. Não corrigi. Melhor que pense assim. “Sou, não posso glúten de jeito nenhum”. “Então, sabia que a batata tem amido?”. “Amido?!”. “Sim, batata contém glúten”. Ela soltou várias afirmações que fui rebatendo e tentando esclarecer, mas a partir dali entendi que pisava num território extremamente perigoso. “A moça garantiu pra mim que checou tudo”, apontei frustrada a falta de comunicação entre elas. “Quer cancelar?!”, perguntou. “E precisa perguntar?”, pensei.

Respirei aliviada. Queria só a batata, mas com ela poderia vir o pior e mais intragável de todos os acompanhamentos: os invisíveis traços de glúten.

“Voltando pra casa eu faço a minha própria porção”, sorri internamente enquanto dava um gole na minha água com gás, sem glúten, claro.

Tá decretado, galera. Prefiro ser essa celíaca ambulante (desconfiada, fresca, como quiserem chamar) do que ter aquela velha ameaça à saúde comigo.

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22 de março de 2019

#GlutenFreeNãoÉMiMiMi

Lembro como se fosse ontem. Tinha pouco tempo de diagnóstico quando ouvi de uma colega de trabalho o inesperado conselho para que evitasse falar que sou celíaca. Não a culpo. A palavra soava estranha para ela, como também para mim. Era tudo muito novo. “Parece nome de doença, melhor só dizer que não come glúten mesmo”, ela argumentava, como se fizesse alguma diferença.

Eu sou celíaca, sim, e tenho uma doença, fazer o quê?!

Olsen

Desde então, foram centenas, pra não dizer milhares, de comentários parecidos. Alguns piores, outros disfarçados de brincadeira, aqueles que a princípio indicavam algum tipo de preocupação, mas no fundo apenas revelavam falta de conhecimento e de empatia.

“Na minha época não tinha disso”, “Agora todo mundo resolveu tirar o glúten”, “É bobeira dela”, “Não precisa exagerar”, “É coisa da sua cabeça”. Já ouvi de tudo um pouco.

Aprendi a respirar fundo e a relevar, a rebater com informação, a ensinar pacientemente, a conscientizar com exemplos, a fazer alarde quando necessário e a encarar com bom humor. Apesar de fazer muita graça dos trancos e barrancos que passei e ainda passo, dói profundamente quando tentam diminuir as minhas dificuldades, reduzir os necessários cuidados pra minha sobrevivência e menosprezar a minha condição.

Deixar de comer glúten é a única forma de tratamento e a principal chance que tenho de viver mais e melhor. Qual a dificuldade em entender a importância disso?

Sem que percebesse, me transformei numa militante da causa, numa divulgadora da doença celíaca e numa pessoa que não passa um dia sequer sem lembrar ao mundo que o que eu tenho não é dieta da moda, não é frescura e, definitivamente, NÃO É MIMIMI!

Acompanhe a campanha #GlutenFreeNãoÉMiMiMi pelas redes sociais e pelo site (clica aqui pra acessar)! São 39 perfis na internet informando sobre as desordens relacionadas ao glúten com posts semanais.

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Não contém glúten: porque a gente veste a camisa, literalmente!

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