17 de março de 2018

Para não dizer que não falei da doença celíaca

Ou melhor: para não dizer que só falei da doença celíaca!

Muitas vezes já pensei em fazer outro perfil nas redes sociais para falar exclusivamente da doença celíaca. Já considerei, inclusive, criar outro blog pra isso. Tudo bem que por aqui, no Instagram e no Facebook (ainda não me segue?!) as coisas aconteceram naturalmente. Como celíaca, sempre compartilhava e postava coisas relacionadas a isso. Até que um dia percebi que estava “produzindo conteúdo” sobre a vida sem glúten.

Definido o meu nicho, eu poderia ter adotado algumas estratégias para alcançar um público maior. Às vezes sinto que ainda há poucos celíacos por aqui (se identifiquem, vai…), mas o blog tá longe de ser meu principal trampo e a vida não tá ganha pra ninguém, não é mesmo?!

Robin

Não tá “fácio”!

Mas apesar de tudo me indicando o caminho a seguir e mesmo sabendo que a galera que me segue por outros motivos às vezes deve ficar de saco cheio de tanto que eu falo disso, eu insisto em manter tudo junto. Sabem por quê?!

Não me importo se os celíacos forem aparecendo aos poucos, nem se você que não tem nada a ver com isso pular os meus stories quando lhe convém. Se uma única pessoa se tornar mais compreensiva com a nossa causa, sinto que o meu trabalho surtiu efeito. Se alguém pensar em fazer os exames e considerar a possibilidade da doença celíaca por lembrar de mim, o meu falatório terá sido válido. Se passarem a lembrar de nós celíacos quando verem um rótulo ou estiverem em um restaurante, teremos atingido o nosso principal objetivo.

Leia também: Precisamos falar da doença celíaca

Não é só sobre levar informação, entendem? É sobre conseguir transformar o ambiente em que estamos inseridos. Afinal, não queremos que o mundo se torne mais compreensivo com a nossa condição?! Não queremos mais empatia? Não queremos que, não só os celíacos, mas principalmente os não celíacos, nos respeitem?

Falar entre os nossos semelhantes é essencial, mas ampliar a nossa voz entre aqueles que desconhecem a nossa luta é fundamental para conseguirmos vencê-la.

Não somos apenas a doença celíaca

Sex and the City

Eu também poderia me dedicar a postar mais receitas, novos restaurantes e dicas de produtos sem glúten. Poderia e vou fazer isso (prometo!), mas gosto de mostrar quem sou além da doença celíaca. Ela nos define, eu sei, mas não somos apenas o diagnóstico.

É um barato conhecer a pessoa por trás da doença. Saber que a vida segue apesar dela. Que dá para trabalhar, se relacionar e se divertir. Que nem sempre é fácil, mas que rindo ou chorando das situações difíceis elas passam. Sempre passam. Que dá para recuperar a auto-estima, superar antigos desconfortos e afastar as complicações.

Reconhecer a humanidade do celíaco é fascinante. Pô, o Tiago Leifert é celíaco. A Isis Valverde. Você, eu e muitos outros também. Não somos iguais, mas aposto que temos muito mais em comum do que a doença celíaca.

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9 de março de 2018

Ninguém precisa ser feliz o tempo todo

O que eu mais faço aqui e nas minhas redes sociais é dizer que a vida melhora muito após o diagnóstico da doença celíaca. E melhora mesmo! Mesmo repetindo isso o tempo todo, nem sempre é suficiente. Em alguns dias (cada vez menos, ainda bem), eu mesma me pego choramingando pelos cantos, lamentando as dores de ser celíaca em um mundo que tá longe de estar preparado pra gente.

Tá tudo bem. É normal!

Querer que o celíaco esteja sempre feliz com a doença beira o absurdo. Até para mim que grito aos quatro ventos que sou celíaca e feliz, não apesar disso, mas principalmente por isso.

Nos contentamos com a doença celíaca, enxergamos o lado bom de ter o diagnóstico, mas também temos o direito de cultivarmos algumas insatisfações.

no drama

Yes drama, please!

Só sendo inconformados com a realidade poderemos lutar para transformá-la. Desde que isso não nos transforme em uma pessoa ranziza e mau humorada, reclamar de vez em quando pode ser terapêutico.

Anote num papel tudo que você gostaria de comer se pudesse voltar a ingerir glúten (só não faça isso se não tiver controle sobre seus impulsos). Relembre as saias justas que já teve que lidar por conta da doença. Ria das idas ao banheiro em locais inapropriados quando ainda estava se recuperando (eu já caguei – desculpe a palavra – numa penitenciária e num hospital antes de ser inaugurado! #vidaderepórter). Xingue (mentalmente, hein) aquele dono de restaurante que desdenhou de você ou responda à altura quando questionarem a sua disciplina.

Silenciar as nossas dores também pode nos adoecer! Já transformar o nosso drama em humor, em pauta política, em um blog ou canal no Youtube… só nos fortalece.

Que saibamos aproveitar os altos e baixos da doença celíaca, pois todos os momentos fazem parte da nossa trajetória. E todos, sem exceção, podem nos fazer crescer.

Positive

Antes que me entendam mal, vou deixar claro: continuo defendendo que a gente tente enxergar de forma positiva a doença celíaca, mas convenhamos: tem hora que só queremos extravasar as nossas emoções. Eu faço isso escrevendo e você?! Com auto-conhecimento, podemos encontrar o tal do equilíbrio. Nada de ficar sorrindo abobado por aí como se o nosso tratamento fosse um mar de rosas, nem se afundar no fundo do poço. Se precisar de ajuda para sair dele, tô sempre por aqui.

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