11 de janeiro de 2018

O que os celíacos querem

Celíacos - Laila Hallack

Em 2018, quero ter mais saúde. Quero cuidar mais da minha saúde. Quero valorizar a minha saúde. Quero comer mais frutas, verduras e legumes, mas também espero poder saborear inúmeras delícias sem glúten.

Em 2018, quero que mais estabelecimentos ofereçam opções sem glúten. E que essas opções sejam realmente seguras para os celíacos. Quero poder sair com os meus amigos e a minha família e ter o que comer sem passar mal ou colocar a minha saúde em risco.

Em 2018, eu desejo que os empresários interessados em abrir lanchonetes, restaurantes ou em vender produtos sem glúten entendam que há quem realmente precise ficar sem ele.

Em 2018, eu espero que os produtos sem glúten fiquem mais acessíveis, mais baratos. Quero me decepcionar menos e me surpreender mais com eles. Quero aprender novas receitas. Quero cozinhar mais. Descasar mais e desembrulhar menos, não é o que dizem?!

Em 2018, quero que as pessoas parem de perguntar quantos quilos perdi desde que parei de comer glúten. Quero que parem de me dizer que é frescura, coisa da minha cabeça e que se eu comer só um pedaço não vai me fazer mal. E espero que mesmo se continuarem dizendo que é frescura, coisa da minha cabeça e que se eu comer só um pedaço não vai me fazer mal, eu tenha paciência.

Em 2018, quero que tenham paciência comigo.

Em 2018, espero que mais pessoas tenham o diagnóstico adequado da doença celíaca antes de sofrer as consequências dela. Eu quero afastar de mim as consequências da doença celíaca.

Em 2018, quero que os profissionais de saúde parem de pedir a retirada do glúten antes de solicitar os devidos exames e descartar a possibilidade da doença celíaca. E que as pessoas entendam o perigo disso – não diagnosticada e sem tratamento ela tem graves consequências.

Em 2018, torço para que as pesquisas científicas que buscam alternativas para a vida do celíaco avancem e que a tal vacina que poderá nos permitir comer glúten novamente finalmente saia. Que eu não perca as esperanças, mas nem por isso deixe de encarar a realidade com disciplina e persistência.

Em 2018, quero valorizar ainda mais as coisas que ainda posso comer em vez de lamentar por aquilo que não posso comer mais.  Em 2018, espero que os celíacos continuem unidos e atuantes.

Em 2018, quero que a indústria faça a rotulagem correta dos alimentos e que os celíacos não precisem ligar para o SAC para saber se podem confiar até do NÃO CONTÉM GLÚTEN.

Em 2018, quero continuar longe do glúten. Quero continuar desconfiada, atenta e preocupada com o que como, mas também quero poder comer tranquila, sem medo e sofrimento.

Quero ser feliz, mesmo sem o glúten.

E vocês, o que desejam para o ano que já começou e eu tô atrasada fazendo post sobre isso só agora?! Pra quem não sabe, tô no Youtube também, não deixe de dar um pulinho lá, conferir os vídeos e se inscrever.

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12 de junho de 2017

Como conquistar um celíaco
Quem ama cuida - Blog Laila Hallack

Quem ama cuida…

Namorar um celíaco ou uma celíaca não é fácil. No começo, então, a parada é ainda mais complicada. É preciso aprender coisas que você talvez nunca teria ouvido falar e se preparar para entrar num universo que exige muita dedicação.

A maneira como a pessoa que está ao nosso lado lida com a nossa condição determina o sucesso ou o fracasso da relação.

É praticamente um critério para saber se vale ou não investir num crush, se aquele namoro vai pra frente ou se o casamento tá indo por água abaixo. Em toda relação é preciso ter paciência, compreensão e cuidado com o nosso parceiro ou parceira. O mesmo vale para o relacionamento com o celíaco. A diferença é que passamos por mais situações que colocam tudo isso à prova.

Não poder beijar na boca se tiver bebido cerveja. Aliás, não beijar na boca quando comer glúten. Não comer glúten. Selecionar mais os lugares para ir, com o risco de praticamente não ter para onde ir. Ter uma companhia para sair para comer que não vai comer. Ter que se virar na cozinha. Aprender a ler rótulos. Desconfiar até deles. Saber explicar os sintomas, as causas, o diagnóstico, o tratamento e o que mais for preciso para sanar às dúvidas dos curiosos de plantão. Ser PhD em contaminação cruzada. Vigiar todos os possíveis riscos dela. Cuidar de nós quando, ainda assim, ela for inevitável. Nos acompanhar no hospital, médico, nutricionista…

Prezar pela nossa saúde acima de tudo é a maior prova de amor que alguém poderia nos dar.

Dupla de Dois Fotografia - Laila e Diego

Mas como estamos numa época propícia ao romatismo, por que não incrementar esse relacionamento, hein?! Essa também é para você que tá a fim de um celíaco ou celíaca. As dicas garantem o sucesso da conquista, pode acreditar.

Como agradar um celíaco em 5 passos

  1. Compre aquele produto sem glúten delicioso que custa uma fortuna e presenteie a pessoa amada. Não tem como errar. Aliás, até tem se você der o azar de escolher alguma coisa que ela não gosta, mas o gesto já é suficiente e o rombo no seu bolso vai ser menor do que se você fosse comprar outro presente…
  2. Se proponha a acompanhá-lo (a) na dieta sem glúten por um período. Se você já faz isso, congratulations! Garanto que você não irá se arrepender: a vida é muito saborosa sem glúten (frase que mais repito por aqui). E o relacionamento só tende a melhorar com isso. Quer atitude mais generosa?!
  3. Abrace a causa e defenda os direitos dos celíacos sempre que puder. Comprar a nossa briga mostra o quanto você se importa. Precisamos de mais vozes e a sua experiência pode nos ajudar a conscientizar as pessoas.
  4. Prepare algum prato especial sem glúten. Mesmo que você não cozinhe, se arrisque. Ainda que dê errado, o seu esforço será reconhecido. Só não se esqueça de garantir que a comida seja sem glúten e apta para o seu love.
  5. Se cuide! Nós celíacos nos preocupamos com a nossa saúde como ninguém. Ter o diagnóstico de uma doença auto-imune associada a tantas outras nos coloca numa posição delicada. Não tem dor maior do que ver quem amamos descuidando do bem mais precioso que temos.

O amor não contém glúten

Laila Hallack e Diego Alves - Dupla de Dois

A barra que enfrentamos é muito menos penosa se temos com quem contar, se somos compreendidos e respeitados. Mas além de exigir e esperar tanto do outro, nós celíacos também precisamos compreender e respeitar as suas dificuldades. Se para a gente já é tão difícil, imagina para quem caiu de paraquedas (novo acordo ortrográfico, ok?!) nessa?! Você que não aguenta mais as restrições que acabam sendo impostas ao seu relacionamento não se esqueça: se é difícil para você, imagina para nós que sentimos na pele (no organismo todo, na verdade) a doença celíaca?!

No fim das contas, o importante é exercitar o amor na sua forma mais genuína: com menos egoísmo e mais empatia. Não é fácil, mas nós só temos a crescer com isso.

 

Feliz Dia dos Namorados!

Fotos: Dupla de Dois Fotografia.

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