30 de setembro de 2017

Teófilo: uma história sobre resistência

A pior maneira de se fazer uma entrevista é por Whatsapp. Por mensagem de texto ou por áudio, nunca é suficiente. Nem por e-mail ou ligação. As telas impõem uma barreira ao mais fascinante da comunicação: a troca. E ela nem sempre vem acompanhada só de palavras. Os gestos e até o silêncio costumam dizer mais do que elas.

Mas às vezes precisamos recorrer à praticidade da tecnologia. O curioso é quando, mesmo separados por um aparelho, conseguimos entender de alguma forma o que o outro fala. Reproduzir respostas é fácil. Sentir aquilo que está por trás delas nem sempre.

Ao pedir que Adelino Benedito, o Adeh, me passasse as informações sobre o espetáculo Teófilo, percebi que a nossa conversa não seria apenas sobre o trabalho, mas principalmente sobre o desejo de um homem negro por igualdade.

TEÓFILO – UM SONHO DE LIBERDADE

Teófilo - Adelino Benedito

DOMINGO, 1/10, 19H – CINE THEATRO CENTRAL – JUIZ DE FORA

A peça, baseada em fatos reais, conta a história de Teófilo, um escravo que viveu em Belmiro Braga no século XIX. Ele morava em uma fazenda e mesmo tendo supostas regalias, teria fugido. Quatro anos depois, foi capturado e açoitado até morrer. Na época, um processo absolveu os senhores do escravo ao concluir que a violência sofrida por ele não tinha sido a causa da morte.

A peça confronta a versão ofical e questiona: o que se entende por regalias num período em que negros tinham donos? Que regalias eram essas que não o impediram de fugir?

Apesar de preservar a história original, a peça é apresentada ao público sob outra visão. A visão de um negro.

Através do livro “O Negro Teófilo”, da escritora Valéria Guimarães, Adelino conheceu a história do escravo. Para escrever sobre ela, mergulhou no Arquivo Histórico de Juiz de Fora. O interesse do ator foi despertado porque, pela primeira vez, estava diante de relatos diferentes dos que estavam nos livros didáticos.  “Ainda novo, na escola, não concebia a escravidão como a ensinavam. Sempre nos falaram sobre ela, mas pouco abordavam sobre a resistência. Como negro, eu me sentia incomodado ao ouvir as histórias daquele período”. O desconforto causado em sala de aula foi superado, em parte, quando ele passou a explorar a saga de Teófilo.

“Descobri que houve muita resistência. Escravos se matavam, fugiam… não aceitavam as brutalidades da escravidão”. Para ele, contar a história do Teófilo é reforçar essa resistência ainda tão necessária nos dias atuais. “Precisamos ter orgulho da maneira com que lutaram contra o sistema. Compreender o nosso passado de resistência nos fortalece”.

Ao escrever e encenar essa e qualquer outra história, Adelino também resiste ao racismo na área artística. No cinema, na TV ou no teatro, quase sempre atores negros ainda são escalados para papéis estereotipados ou secundários e mesmo quando o personagem é negro, muitas vezes o papel é representando por um branco – o chamado whitewhashing.

Entenda sobre o termo no canal Papo de Preta! Vale assistir:

“Uma maneira de mudar este cenário é fazer o que eu faço: contando e encenando as nossas próprias histórias”. Assim, ele espera incentivar os negros que estejam na plateia. “Quero despertar esse sonho, especialmente nas crianças. Para que elas acreditem que é possível estarem onde quiserem, como por exemplo, atuando ou escrevendo“.

Embora o seu trabalho seja carregado de discursos afirmativos, Adelino diz que não tem a intenção de militar. “A minha presença no palco é a minha militância. Respeito os movimentos negros e reconheço a sua importância, mas como diz a música do MV Bill prefiro ser um preto em movimento”.

Tomando para si, ainda que no teatro, a história de um escravo, ele sente na pele a dor dos seus antepasados. Dor que, apesar do fim da escravidão, a população negra ainda sente. “Mesmo depois de tanto tempo, passamos por situações como se ainda estivéssemos naquele período. O nosso país tem uma dívida muito grande com os negros e essa dívida precisa ser reparada”, defende, no áudio gravado ao som de batuques, reforçando que o espetáculo valoriza, em todos os aspectos, a cultura negra.

Graças a homens (e mulheres) como Teófilo e tantos outros, enquanto houver racismo, haverá resistência a ele.

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4 de agosto de 2017

Coleção Vans x Peanuts na Pégasos

Não importa se você tem vinte e poucos anos (ou vinte e muitos anos como eu), já passou dos 30, dos 40 ou mal saiu das fraldas. A turminha de Peanuts marcou e ainda marca muitas gerações. Com dilemas existenciais, melancolia, ironia e humor, as aventuras de Charlie Brown e seus amigos são inesquecíveis. Como não se identificar com elas?!

Peanuts 1954

Desde quando foi criado por Charles Schulz na década de 50 ainda nas tirinhas, Peanuts virou desenho animado, filme e muuuuuitos produtos.

Tirinhas Peanuts

Mas que puxa!

De tudo que já foi lançado, uma coleção em especial foi muuuito esperada pelos fãs. A Vans lançou os modelos Sk8-Hi, Authentic, Slip On e Old Skool, além de roupas e acessórios com ilustrações dos personagens de Peanuts. Os produtos, que você encontra na Pégasos, são a coisa mais linda!!!!! Com meu tênis do Snoopy skatista fiz a blogueirinha de moda pra vocês.

Vans Peanuts - Pégasos

O look mais básico – total black, por exemplo – ganha outra cara com um tênis desses, concordam?!

Laila Hallack - Vans Peanuts

Não tiro mais essa jaqueta do corpo!

Laila Hallack

Parando o trânsito… (no caso, o trânsito do estacionamento!) haha

Jeans + Camiseta

Pégasos - Laila Hallack

T-shirt masculina também da Pégasos, por que não?!

Vans - Pégasos

Pra quem acha que um tênis com estampa não combina com muita coisa…

Listras + Estampa

Pra completar, você ainda poder carregar o Snoopy na mochila.

Mochila Snoopy Vans

Ou no boné.

Boné Vans Peanuts Pégasos

E aí, gostou?! Qual o seu personagem preferido? Com qual você se parece?! Conta pra mim!

Tem mais: com o cupom LAILAHALLACK você descola desconto nas compras feitas pelo site da Pégasos. O código é válido não só para os produtos da coleção com a Vans. Massa, né?!

 

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