21 de fevereiro de 2018

Como a doença celíaca melhorou a minha vida

Em qualquer roda de conversa, se você avistar um celíaco falando sobre a doença celíaca possivelmente vai ouvir alguma reclamação. Não vamos mentir! Ao me perguntarem sobre a doença celíaca, eu certamente vou falar as coisas que não posso mais comer, as que mais queria poder comer, o que aconteceria se comesse glúten, a falta de preparo nos restaurantes, a falta de compreensão de pessoas próximas, a falta de opções no supermercado, a falta…

Ao listar tudo que muda com a descoberta do diagnóstico a nossa tendência é apresentar aquilo que nos falta.

É uma catarse. Colocamos para fora as nossas queixas também como forma de fazer as pessoas entenderem a gravidade do nosso quadro. Combatemos o “é frescura dela!” e o “ai, que exagero!”, com informações e mais informações catastróficas.

Dr. House

Mas… como isso cansa! Exausta de tanto gastar a minha energia olhando o copo meio vazio, resolvi fazer o contrário. Até para tentar te ajudar a enxergá-lo meio cheio. Afinal, a doença celíaca também muda a nossa vida para melhor, quer ver?!

Não passo mais mal como antes…

Só isso já seria suficiente para agradecer pelo diagnóstico. Pense: como você se sentia fisicamente antes de ter que cortar o glúten? E como você se sente agora? Se apegar a isso pode melhorar também a nossa saúde emocional. Toda a minha lamentação vai embora em um instante quando me recordo do inferno que eu passava antes de saber a causa de tanto mal estar.

Big Bang Theory

Esqueça o “E se…”! Agradecer pelo diagnóstico pode parecer insanidade, mas ao desapegar-se da fantasia do “e se eu não fosse celíaca” fica bem mais fácil ser grato por ter uma doença por mais incoerente que isso soe. Antes saber que você tem a doença celíaca do que passar a vida inteira sem tratá-la.

Adeus consequências da doença!

Em vez de contar todas as doenças relacionadas à doença celíaca (e não são poucas!) e pensar desesperadamente que teremos cada uma delas, que tal entender que com o diagnóstico e o tratamento adequado você poderá afastá-las de si?  É muito mais fácil seguir as recomendações médicas sabendo que, assim, você poderá viver mais e melhor. Não é discurso motivacional. É ciência!

Me conheço muito mais

Ok, eu estou mais saudável, mas minha vida virou uma m*%ˆ@ agora que não posso comer nada, não posso ir em lugar nenhum… É, eu entendo. Nem tudo que fazíamos antes podemos fazer mais. Vida social? Relacionamentos? Trabalho? Não vou dizer que as coisas viram de cabeça pra baixo porque seria muito pouco para expressar o que passamos. Mas sabe que até isso pode ser bom?! Em sete anos, precisei enfrentar um processo de auto-conhecimento que não teria sido tão intenso e profundo se não fosse a doença celíaca. 

Carregar um diagnóstico para o resto da vida nos faz repensar tanta coisa que só sendo muito distraído para não aproveitar a oportunidade e mergulhar também numa transformação pessoal.

Aprendi a cozinhar

Rachel Cooking

Eu jamais teria me interessado tanto pela gastronomia se não tivesse a doença celíaca. E se você já manjava dos paranauê da cozinha antes do diagnóstico, aposto que aprimorou muito os seus dotes culinários depois dele, certo?!

Leia também: Por que todo celíaco deveria cozinhar?

Eu poderia continuar eternamente escrevendo sobre as mudanças positivas que a doença celíaca trouxe para a minha vida. A criação do blog foi uma delas. Poder produzir conteúdo sobre o que passo é uma terapia, mas essa terapia só funciona se alguém aí também embarca comigo nela.

Conheci pessoas fascinantes que também são celíacas

Sem a doença celíaca talvez eu ainda estivesse fechada no meu mundinho com as mesmas preocupações de uma jovem de quase 30 anos. A vida profissional, a situação financeira, o futuro do relacionamento… tudo isso me atormenta às vezes, mas quando paro, leio ou escuto histórias de outros celíacos, entendo o drama do outro e vejo que estamos juntos no mesmo desafio, eu agradeço por tudo que enfrentei até agora.

A gente se reconhece na dor, mas também na superação.

Assistam The Good Place! :)

E você?! Como a doença celíaca MELHOROU a sua vida?! Me conta! Vamos espalhar positividade.

MAIS POSTS SOBRE:

11 de janeiro de 2018

O que os celíacos querem

Celíacos - Laila Hallack

Em 2018, quero ter mais saúde. Quero cuidar mais da minha saúde. Quero valorizar a minha saúde. Quero comer mais frutas, verduras e legumes, mas também espero poder saborear inúmeras delícias sem glúten.

Em 2018, quero que mais estabelecimentos ofereçam opções sem glúten. E que essas opções sejam realmente seguras para os celíacos. Quero poder sair com os meus amigos e a minha família e ter o que comer sem passar mal ou colocar a minha saúde em risco.

Em 2018, eu desejo que os empresários interessados em abrir lanchonetes, restaurantes ou em vender produtos sem glúten entendam que há quem realmente precise ficar sem ele.

Em 2018, eu espero que os produtos sem glúten fiquem mais acessíveis, mais baratos. Quero me decepcionar menos e me surpreender mais com eles. Quero aprender novas receitas. Quero cozinhar mais. Descasar mais e desembrulhar menos, não é o que dizem?!

Em 2018, quero que as pessoas parem de perguntar quantos quilos perdi desde que parei de comer glúten. Quero que parem de me dizer que é frescura, coisa da minha cabeça e que se eu comer só um pedaço não vai me fazer mal. E espero que mesmo se continuarem dizendo que é frescura, coisa da minha cabeça e que se eu comer só um pedaço não vai me fazer mal, eu tenha paciência.

Em 2018, quero que tenham paciência comigo.

Em 2018, espero que mais pessoas tenham o diagnóstico adequado da doença celíaca antes de sofrer as consequências dela. Eu quero afastar de mim as consequências da doença celíaca.

Em 2018, quero que os profissionais de saúde parem de pedir a retirada do glúten antes de solicitar os devidos exames e descartar a possibilidade da doença celíaca. E que as pessoas entendam o perigo disso – não diagnosticada e sem tratamento ela tem graves consequências.

Em 2018, torço para que as pesquisas científicas que buscam alternativas para a vida do celíaco avancem e que a tal vacina que poderá nos permitir comer glúten novamente finalmente saia. Que eu não perca as esperanças, mas nem por isso deixe de encarar a realidade com disciplina e persistência.

Em 2018, quero valorizar ainda mais as coisas que ainda posso comer em vez de lamentar por aquilo que não posso comer mais.  Em 2018, espero que os celíacos continuem unidos e atuantes.

Em 2018, quero que a indústria faça a rotulagem correta dos alimentos e que os celíacos não precisem ligar para o SAC para saber se podem confiar até do NÃO CONTÉM GLÚTEN.

Em 2018, quero continuar longe do glúten. Quero continuar desconfiada, atenta e preocupada com o que como, mas também quero poder comer tranquila, sem medo e sofrimento.

Quero ser feliz, mesmo sem o glúten.

E vocês, o que desejam para o ano que já começou e eu tô atrasada fazendo post sobre isso só agora?! Pra quem não sabe, tô no Youtube também, não deixe de dar um pulinho lá, conferir os vídeos e se inscrever.

MAIS POSTS SOBRE: