23 de fevereiro de 2017

Arpel: folia de descontos

Folia de Descontos Arpel

“Quem não chora não mama…”, diz a marchinha do Cordão da Bola Preta, um dos blocos mais tradicionais e antigos do Rio de Janeiro. Na Arpel, a gente não precisa nem chorar pra ganhar desconto, não. Ainda mais no Carnaval!

O blog foi convidado para dar um pulo em uma das lojas (os endereços vocês conferem aqui) e selecionar alguns produtos para mostrar para vocês. Foi difícil foi, foi intenso foi… afinal, praticamente tudo tá com desconto.

Deixa que eu explico melhor:

Os descontos são progressivos! Uma peça: 30%, duas: 40% e três: 50% (as condições podem ser alteradas, vale conferir na loja, ok?). Na segunda de Carnaval, a Arpel enlouquece e a gente também, claro. A loja inteira (com exceção dos itens da coleção pre fall – o preview do inverno – e alguns acessórios) sai pela metade do preço.

Então, se você for ficar em Juiz de Fora durante o Carnaval e tá se lamentando por isso, pode se animar e aproveitar a oportunidade. E se você já tá de malas prontas para curtir a folia, arruma um espacinho nela e corre pra Arpel que ainda dá tempo, hein!

As fotos incríveis são do Vinícius Gonçalves e a make por Gleicy Bachini.

Metalizados

Oxford, mocassim, flatform, mule…. seja qual for o modelo, tem metalizado pra todo mundo.

Metalizados Promoção

 

Metalizados Arpel

Tênis metalizado Arpel

Expressão nos pés

Se a moda é expressão, que tal dar o seu recado nos… pés! Isso mesmo, o slide é o must have do verão (adoro esbanjar o meu repertório de expressões do mundo da moda), mas não precisa ter cara de chinelo (quem lembra o tradicional da Raider, hein?). Um clássico repaginado. Dizem que vai continuar em alta no inverno, em versões peludinhas ou com meia. Será?!

Arpel - Stay Cool

Para brilhar

Quando a rasteirinha parece uma jóia, quem disse que a gente precisa de salto alto?!

Arpel Rasteirinhas

Estilo a tiracolo

Como a moda geralmente tenta nos deixar iguais a todo mundo, acho o máximo quando podemos brincar com ela. As clutches de madeira com acrílico são ideais para quem quer sair da mesmice e deixar a produção bem mais estilosa e divertida.

Clutches Arpel

Para o dia a dia (ainda me acostumando com o Novo Acordo Ortográfico), nada melhor do que uma bolsa que combine com tudo e, principalmente, que caiba tudo!

Bolsa Arpel

Para não dizer que não fiz a blogueirinha…

Arpel - Look tênis

Bela, recatada e…

Na hora de escolher as peças que experimentaria, me mostraram essa saia midi. “Você gosta?”. Juro que respondi exatamente assim: “Er, ãn, hum, é… não sei”. Balbuciei um monte de sons. Não deu para disfarçar. Eu tinha preconceito com o modelo, mas resolvi ouvir o conselho dos funcionários da loja e confesso que amei. O que acharam da minha versão ladylike?

Saia Midi - Laila Hallack

Laila Hallack careta

Faz careta, faz… que o amigo fotografa também.

A careta não quer dizer que tava ruim, não, pelo contrário. Se forem na loja do Independência Shopping (não sei se nas outras têm o mesmo) não deixem de tomar o chá de limão. É uma delícia!

Eu quero é botar meu bloco na rua…

Para quem não conhece (acho difícil, viu), a Arpel é uma loja tradicional na cidade (a primeira foi inaugurada em 1973!) que vende várias marcas, além de calçados de fabricação própria. Tem Vicenza, Luz da Lua, Luiza Barcelos, Orcade, Colcci, Morena Rosa e muito mais.

Laila Hallack

Um #publipost para uma empresa que sou cliente de verdade.

Arpel

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7 de fevereiro de 2017

Moda pelo mundo: Peregrina

Peregrina

Quando resolvi que escreveria sobre moda estava decidida. Só falaria sobre marcas que trazem algo mais além da roupa. Algum propósito, ideias criativas e conceitos que carregam, de alguma forma, aquilo que eu acredito. Já que moda também é cultura, pensei, então, que sempre que o assunto surgisse no blog eu pediria para os criadores das marcas me indicarem 1 livro, 1 filme e 1 música que se relacionassem com a proposta deles. Fiz isso com a Maruscka Grassano, da Peregrina (as escolhas dela estão lá embaixo).

Coloquei a música I’m a Gypsy, da Shakira, para tocar e rapidamente me transportei para a estrada. Só não sei para onde. Quem se importa? Curiosamente, o verso que ela escolheu também me marcou desde que ouvi a canção pela primeira vez.

 “Walking gets too boring when you learn how to fly

Peregrina - Moda étnica

Por falar em voar…

A Peregrina nasceu em 2014 quando a Maruscka fez um intercâmbio profissional na Índia. Ela, que nunca se interessou por moda, se encantou com a diversidade de cores e texturas das roupas e dos acessórios do país. Não tinha como ser diferente! Como o filme “Comer, Rezar e Amar” foi o escolhido por ela, me dei a liberdade de viajar um pouco e recriar cena que, provavelmente, deu início à história da marca.

Hospedada na casa do amigo colombiano que estava morando na capital Nova Délhi, Maruscka o acompanhava em suas atividades. Marino Arce fazia transações comerciais: comprava produtos da Índia e vendia na Colômbia. Um dia, enquanto o esperava fazer os seus negócios, acabou encontrando o rumo que queria dar para a sua vida. Ou o homem que, mesmo sem saber, a ajudaria nisso.

Sentada nas mesas do lado de fora daquela espécie de restaurante, distraída e absorvida pela excêntrica movimentação, mal percebeu a presença dele. O hippie, com seus trinta e poucos anos, sentou-se ao seu lado. Era comum fazer isso naquele lugar. Compartilhando a mesa, com seus dreads loiros, despertou a curiosidade aguçada da jovem jornalista que acabara de pousar em um universo tão diferente do dela.

(A partir daqui entendam que estou dando ainda mais asas para a minha imaginação…)

Aqueles olhos claros contrastavam com a pele bronzeada a ponto de deixá-los quase transparentes. Tentou não fitá-los diretamente. Não sabia qual seria a reação do estranho diante do desconcertante fascínio que tentava disfarçar. Não resistiu e decidiu levantar a sua ficha.

– Olá, tudo bem? Meu nome é Maruscka, sou brasileira…
– Brasileira? – a interrompeu como se constatasse algo que já suspeitava. Está aqui a passeio?

Iniciaram a trivial conversa até que chegaram no que ela queria tanto saber.

– Daqui seguirei para outro lugar. Assim vou vivendo. De um país a outro, me perdendo e me encontrando. Vendo os produtos não como forma de sobreviver, mas porque acredito que as riquezas dessas culturas precisam ultrapassar as fronteiras estabelecidas pelo homem.

O que se sucedeu do encontro promovido pelo acaso só os dois sabem, mas o estiloso austríaco marcaria para a sempre a sua história.

(Voltando à realidade…)

Naquela conversa despretensiosa, Masruscka teve um desses estalos que costumam nos despertar para o óbvio que às vezes ignoramos.

“Logo entendi que eu queria que a Peregrina (ainda sem esse nome) percorresse o mundo trazendo produtos de diferentes etnias. Procurei um nome que refletisse o espírito do viajante, de uma vida cigana, aquela vibe do wanderlust (desejo de viajar, de caminhar em direção ao desconhecido)”.

We are all indians

A coleção “We are all Indians” faz como a língua inglesa e não diferencia índios e indianos. As peças expressam essa irrestível miscigenação pelo mundo: tem acessórios garimpados com nativos de Alter do Chão, no Pará, e roupas produzidas a partir de sarees indianos.

Como já estava na Índia, Maruscka começou enviando os produtos de lá para o Brasil. Daqui, algumas pessoas a ajudavam a vendê-los. Mesmo após ter contato com outros fornecedores, até hoje ela ainda importa da mesma lojinha onde fez a primeira compra. De lá para cá, as peças da Peregrina passaram as ser trazidas de várias partes do mundo: da Colômbia à África.

Coleção Nova Peregrina

Detalhe Peregrina

Recentemente, sem deixar de garimpar produtos com referências étnicas por todo o planeta, Maruscka decidiu criar uma produção local a fim de ter um maior controle da qualidade, especialmente no acabamento das roupas. “A ideia é que um dia eu seja capaz de acompanhar toda a cadeia de produção da Peregrina, garantindo uma remuneração justa, por exemplo”, planeja. A confecção em terras brasileiras veio também para adaptar as peças ao design do nosso país (vide cropped acima) e criar roupas plus size.

Peregrina Close

Peregrina Beleza Diversidade

Beleza plural

Não é de hoje que as marcas passaram a apostar na tal beleza real, mas poucas o fazem com intenções honestas e não apenas para atender à legítima demanda do mercado. Traduzindo: quase sempre elas querem simplesmente vender mais.

Combater o padrão imposto pela sociedade e fazer com que as diferentes mulheres se sintam representadas era um caminho inevitável para a Peregrina, uma marca que contempla tantas etnias e reforça a pluralidade do mundo. “Há tanto tempo esse padrão vem sendo responsável não por nos inspirar, mas por nos fazer questionar a nossa própria beleza. Não fazia sentido trabalhar apenas com modelos dentro desse padrão”.

Na tentativa de diversificar o casting e fazer um ensaio com mulheres de diferentes biotipos, origens e idades, Maruscka e Wagner Emerich – do estúdio O retratista – acabaram tendo que se deter à aparência. Mas ao conhecer a história de cada uma das cinco escolhidas que participaram do ensaio Toda forma de (auto) amor, perceberam que além da beleza de suas formas, cores e traços, todas traziam em sua essência algo que as faziam ainda mais bonitas por serem exatamente quem são.

“O ensaio é só uma pontinha de todo um processo em que venho aprendendo que quando uma mulher se cura e se ama de verdade é capaz de transformar muita coisa à sua volta, de transbordar esse amor e apoiar outras mulheres que também passam pelo mesmo processo. De alguma forma, acredito que contribuí para que elas percebessem o quão maravilhosa são. E elas fizeram o mesmo comigo”.

Peregrina Ensaio

Corre para conferir o ensaio completo: mulheres lindas e reais nos lembrando a beleza da diversidade.

Moda com consciência

Deu para sacar que o valor dos produtos da Peregrina não está no custo deles, mas na riqueza cultural e nos princípios que carregam. Vestir uma peça que viajou tanto até chegar a você é assumir, ainda que por instantes, o estilo e parte da identidade de um lugar que talvez você nunca vá estar.

É criar o seu próprio estilo, livre de tendências e modismos. É entender a moda além da moda. É vestir a diversidade que estampa e colore o mundo. É reconhecer que a moda também conta histórias e faz história.

“Para quem é apaixonado, assim como eu, por desbravar outras culturas, descobrir novos cheiros e sabores, a Peregrina é um prato cheio. Ainda me lembro quando chegou a primeira caixa com as mercadorias que a artesã Joanita me mandou de Uganda. Era um pedacinho de lá, sabe? E é essa troca que eu vejo que outras pessoas também sentem quando adquirem alguma peça da Peregrina.”

Peregrina

Além de traduzir o espírito de liberdade das peregrinas, as saias, vestidos e blusas feitas a partir da sarees, batas, kimonos e kaftans são quase sempre únicas. “Tentamos vender peças exclusivas. Se não forem, haverá pouquíssimas similares. As pessoas são únicas. Não têm porque se vestirem tão iguais“, defende.

Peregrina O retratista

Uma moda diferente também começa por fazer moda de um jeito diferente. “A indústria da moda é uma das mais poluidoras do planeta. Ela escraviza e mata pessoas. Isso não pode ser moda”, indaga. Na contrapartida das tendências reproduzidas em grande escala, do fast fashion e do consumismo desenfreado,  Maruscka busca propagar o conceito do consumo consciente. “A maioria das nossas peças são artesanais, feitas por comunidades, valorizando o trabalho e a cultura desses povos. Somos responsáveis por causar impacto econômico direto nas nossas áreas de atuação e isso tem um valor enorme”.

Para seguir

Nas redes sociais da criadora da Peregrina e na página da própria marca, Masruscka compartilha conteúdos que vão do empoderamento feminino ao cuidado com o meio ambiente: valores que precisam urgentemente estar na moda. Para ela, as postagens apenas refletem o espírito da marca. “A Peregrina é um ideal. De vida, de consumo, de tratamento aos seres humanos, ao planeta e aos animais”, conclui, provando para mim que a moda pode ser, sim, fascinante, engajada e extremamente relevante.

 

Peregrina indica:

  • FILME: Comer, Rezar e Amar – “Desde o começo, eu definia a Peregrina como o “Comer, Rezar e Amar” da moda.  Cada peça traz consigo a cultura de um povo. É uma experiência única e rica, como a vivida no filme”.
  • MÚSICA: I’m a Gypsy, Shakira – “A letra fala sobre quebrar o coração por onde passamos e juntar os cacos. É sobre o medo do desconhecido. A frase que mais define a Peregrina é quando ela diz que caminhar fica chato demais depois que você aprende a voar”.

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