26 de janeiro de 2017

O que fazer durante uma crise de ansiedade?

Como as redes sociais conspiram para que alguns conteúdos cheguem até nós (malditos algoritmos), sempre pinta na minha timeline os mais diferentes posts sobre ansiedade. Eu leio praticamente tudo, mas não consigo entender porque sempre associam nós, ansiosos, a pessoas piradas ou extremamente infelizes.

O que mais se repete e o que mais me incomoda são as dicas de respiração, os exercícios de respiração e o insistente conselho: quando a crise de ansiedade chegar… inspire, respire e não pire!

90% do conteúdo disponível na internet nos ensina maneiras para acalmar, mas calma aí!

Será que precisamos APENAS nos acalmar?

Respire

Ok, durante um ataque de pânico, os dias de depressão profunda, uma noite de insônia terrível ou qualquer outro sintoma do transtorno de ansiedade, é necessário nos concentrar na respiração, tentar tirar nossa mente daquilo que nos causa o mal estar (técnicas de distração podem ser realmente úteis), mas isso vale para os picos de ansiedade!

Aprender tudo isso é ótimo e pode nos salvar, mas nem sempre. Às vezes precisamos de outra coisa…

Voltar a atenção para o nosso interior é a chave para a cura da ansiedade, mas se dentro de nós houver muita coisa acumulada, corremos o risco de nos perder ou nos afogar lá dentro.

Afogar - Laila Hallack

Por que ninguém nos lembra que extravasar é tão necessário quanto relaxar? Ou ainda: é o que vai nos permitir relaxar. Por isso, a primeira estratégia que adoto durante uma crise de ansiedade é:

  • GRITAR!

Psicose

O ideal é que seja um berro. Bem alto! Solte um palavrão. Um “Ahhhhhh!”. A escolha é sua. Só não deixe de expressar aquele grito represado no seu peito.

Quotes - Laila Hallack

É libertador!

  • OUVIR MÚSICA BEM ALTA!

Se você não se sente confortável gritando por aí ou tem muitos vizinhos que podem se assustar com isso, vá para um lugar afastado. Se ainda assim não for possível, pegue o fone de ouvido e não, não coloque aquela playlist de meditação, mindfulness ou o escambau!

MusicRock? Axé? Samba? Qual o seu estilo prefeiro? A música pode nos transportar para a calma que precisamos (antes de dormir eu sempre coloco uma trilha relaxante), mas também pode nos dar a energia que nos falta para sacudir a poeira e encarar a vida. Vai na minha! Funciona.

  • COMER

Calma que eu não vou defender que a gente compense na geladeira todas as nossas questões mal resolvidas. Porém, contudo, todavia…dane-se a dieta ou todos os preceitos de uma alimentação saudável.

Pop Corn - Romina Ressia

Como eu curto encontrar trabalhos com o da artista Romina Ressia com suas releituras divertidas de pinturas renascentistas. Pinterest, te amo!

Numa tarde inquieta, em que eu não consigo lidar comigo mesma, só um balde de pipoca para me fazer voltar aos eixos. A pipoca deve ter sido inventada para os ansiosos, concordam? Mas vale comer o que for… desde que isso não se torne um hábito, ok?

  • REZAR

Tá que isso está entre os clichês que leio por aí, mas não tem coisa melhor para um ansioso do que conversar com Deus, com o Universo, com o que for que você acredite. E mesmo que não acredite em nada, tente rezar para o nada então. Sério, nos conectar verdadeiramente com algo além do nosso entendimento pode ser melhor do que qualquer remédio tarja preta ou vermelha….

  • AMAR

Órbitas

Só para completar o combo e fazer um trocadilho com o filme porque sou dessas. Queridos ansiosos que me leem agora: não nos afastemos de quem amamos. Lidar com a ansiedade é difícil, eu sei, mas também não é moleza para aqueles que se preocupam verdadeiramente com você. Tá numa bad? Deita no colo da mãe ou do pai, liga para um amigo, abrace forte o namorado… e nunca, nunca mesmo, pense que você está sozinho.

E você, o que faz numa crise de ansiedade que te ajuda? Conta pra mim, vai! Aqui a gente se entende.

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20 de setembro de 2016

Meditando por 30 dias (parte 2)

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No post anterior sobre o desafio de meditar por 30 dias não cheguei a explicar exatamente que desafio é esse. Na verdade, os 30 dias já passaram tem tempo (só não vou adiantar se consegui ou não completá-lo!). Diante da insistência de tantas pessoas para que eu meditasse, há alguns meses finalmente resolvi tentar. Como toda pessoa sistemática (como eu me entrego nesse blog), precisei estabelecer horários e um período para que fizesse isso. Anotava na agenda e tudo. Hoje sei que é bom ter cuidado para não transformar a prática em mais uma obrigação, mas esse foi o jeito que encontrei para começar logo. No primeiro dia foram tantas sensações que decidi registrá-las como num diário. Só não imaginei que um dia compartilharia tudo isso…

SEGUNDO DIA

O que você faz em 20 minutos? Pega o carro e vai até o trabalho? Se arruma? 20 minutos é tão pouco para meditar, mas parece uma eternidade para mim. Mal fecho os olhos e já começo a contar os segundos. Pra quê tanta ansiedade? Achei que seria mais fácil, mas minha inquietude teima em me fazer companhia. Mais uma vez, fui vencida por ela. Ofegante, interrompi o ciclo das respirações conscientes. Olhei no relógio. Faltava apenas um minuto para terminar. Ah, se não tivesse sido tão afoita.

TERCEIRO DIA

Não meditei. Esqueci.

QUARTO DIA

Não meditei. Estava sem paciência.

QUINTO DIA

Várias formigas na perna e uma abelha no cabelo. “Essa história de meditar no meio do mato ainda vai me causar problema”. Fora isso, tudo normal. Tentando me desligar do mundo e o mundo dentro de mim ainda pulsando, agoniado, abafado. Internamente, pareço navegar numa rede social com mil janelas pipocando. Como se eu clicasse nos pensamentos e deles surgissem muitos outros. Me perco entre tanta coisa. Tá tudo isso dentro de mim? Céus, preciso esvaziar minha mente.

SEXTO DIA

Não sei o que aconteceu, mas foi menos torturante encarar os minutos em silêncio. Observo como minha respiração é agitada, os pensamentos continuam inconstantes, mas pareço encontrar algum sentido nisso tudo. Aumentei a prática para 25 minutos, já que não estou conseguindo meditar mais vezes ao dia. Como se os 20 já não estivessem sendo tão difíceis…

Simplesmente foi bom, será o cansaço?

SÉTIMO DIA

Comecei a notar algumas mudanças na minha vida. Numa situação em que geralmente sentiria o meu coração sair pela boca e o meu peito apertar a ponto de não conseguir respirar, mantive a calma. Não tive palpitações, nem me preocupei. Pra quê me estressar com o que não posso mudar? Posso estar sendo precipitada, mas terá sido um efeito da meditação?

OITAVO DIA

Nos primeiros minutos da prática, a música começou a me incomodar. Nem as mais suaves, com sons da natureza, parecem funcionar mais. Minhas costas doem, mas o peso que antes sufocava o meu peito está mais leve. A respiração, que era interrompida por longos suspiros na tentativa de recuperar o fôlego, começa a acompanhar a melodia de cachoeiras e pássaros. Já nem escuto a música…

NONO DIA

Cochilei durante a meditação. Pesquei, a ponto de me assustar com isso. Seria o cansaço?

DÉCIMO DIA

Continuo tendo a sensação de que estou quase dormindo enquanto medito. Será que estou começando a me desligar? É assim mesmo?

DÉCIMO PRIMEIRO DIA

Não meditei, mas dormi o dia todo e li quase 200 páginas de um novo livro. Alimentei minha alma.

 

Se você não quer passar pelo que passei, vá com calma. Esse vídeo mostra a técnica do “One moment meditation”, ideal para quem quer começar. Nem adiantar dizer que não dá: você só precisa de um tempinho para assistir e 1 minuto para meditar. Depois, quero saber como foi!

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