4 de outubro de 2016

Bodoque: artes & ofícios

Bodoque

Em uma exposição de design lá estavam eles: Poliana e Frederico. Achei que fossem irmãos de tão parecidos ou tamanha sintonia que transpareciam naqueles reluzentes olhos claros. Mostravam os cadernos e falavam sobre cada um como se segurassem nas mãos o mais precioso objeto. Me cativaram rapidamente, bem mais do que muitos artistas com suas caríssimas obras e luxuosas carreiras. Anotei mentalmente. Precisava conhecer o ateliê deles.

Um ano e uma reportagem especial depois, algo não saía da minha cabeça. De todo o processo que conheci de perto, a poética expressão me ajudaria a entender a essência da Bodoque e daquele casal. “Estou costurando o cadarço na alma do livro”, ela explicava durante a entrevista. A técnica, embora delicada, prende a capa às páginas de tal forma que elas não se soltam facilmente.

Nossa alma também está costurada nos nossos cadernos e foram eles que me fizeram perceber isso.

Bodoque

“Registrar graficamente significa ultrapassar a barreira cordial do tempo”

Para muitos, um caderno é apenas um caderno. Ele pode ser guardado ou descartado quando já não tem mais utilidade. Não passa de um suporte com fim bem definido, delimitado. Mas será? Até para quem não tem consciência disso, o pequeno objeto que usamos em tantos momentos da vida é também um espelho onde nos vemos refletidos. Suas folhas em branco são como confessionários. Nelas podemos revelar as nossas mais secretas confidências e depositamos o que até então habitava o nosso coração ou o que sequer imaginávamos existir em nós.

Em plena era digital, eles resistem ao tempo e ainda são produzidos à moda antiga…

Bodoque

“Consideramos que todas as pessoas passam pelo intrigante processo de traduzir suas vivências, seus pensamentos mais complexos e a poesia do cotidiano, em traços e palavras. Deste modo, acreditamos que cada indivíduo é capaz de visitar suas lembranças com delicadeza e ternura, percorrendo o caminho que os levará ao encontro da versão mais sincera de si próprios. Portanto, qualquer um que sentir em seu coração uma inquietação por expressar suas ideias e criatividade, encontrará em nossos cadernos um companheiro fiel”, texto que acompanha algumas edições dos cadernos Bodoque.

Fred consegue filosofar sobre os cadernos como quem filosofa sobre as mais complexas questões da humanidade. Na aparente simplicidade das reflexões feitas sobre a nossa relação com o papel, conseguimos alcançar a profundidade dos pensamentos de um estudioso de arte. Em seus cadernos, poderíamos encontrar perguntas filosóficas, que ele nem sempre é capaz de responder, mas que ficam guardadas para que sejam revisitadas. Poder lê-las é tão interessante quanto testemunhar a confecção desses valiosos cadernos.

Bodoque

“Como transformar a atmosfera das experiências que temos em algo transmissível?”, costuma indagar. Ao se colocar diante do questionamento, ele evoca um problema de natureza humana: o esquecimento. “Quando temos a preocupação de tornar real aquilo que habita nossos pensamentos mais íntimos, quando decidimos traduzir a abstração das ideias em nossas cabeças para sua constituição física no mundo, riscamos o papel. Deste modo, criando o hábito de registrar a nós mesmos, começamos a refletir a possibilidade de consultar, a todo instante, quem fomos, tendo em vista a incansável busca por quem queremos e poderemos vir a ser”.

Artes e ofícios

Como pensamentos que precisam ser alinhavados para que tenham coerência, os cadernos da Bodoque são confeccionados com a virtude da razão e a subjetividade da emoção. Tudo é feito à mão sem o uso de máquinas industriais. Hoje, quatro pessoas participam das diferentes etapas da produção. “Gostamos muito de manter o máximo possível de técnicas artesanais aliadas a processos tradicionais de criação de livros”.

Bodoque

Gravuras em madeira, linóleo, serigrafia, pintura, aquarela e até mesmo esculturas em baixo ou alto relevo são utilizadas juntamente com costuras medievais (feitas como os antigos monges faziam), japonesas e francesas. O Artes e ofícios do nome, por exemplo, “refere-se a trabalhar questões conceituais, inerentes ao campo da arte, aliadas ao ofício, o saber fazer de fato. As capas são criadas tendo em vista um grande conceito principal de livre criação. Criamos vários eixos temáticos e trabalhamos no desenho a partir daí”.

Bodoque

Criação com afeto

Os dois são formados em Artes e possuem especialização nas áreas de conservação e restauro de papel, restauro de pintura em madeira, afresco, alvenaria e metal; e encadernação. O vasto conhecimento de ambos garante o rigor empregado, mas há sempre o cuidado para não distanciar-se daqueles que farão uso dos cadernos. “Executamos o trabalho com o máximo de carinho e delicadeza possível para que as capas carreguem uma mensagem de dedicação e sejam muito mais pessoais do que o desenho por si só. Criamos cada caderno como se fosse para a mais querida das pessoas que conhecemos“.

Para cada momento

A Bodoque tem um caderno para cada pessoa, para cada estilo, para cada situação… e você ainda pode escolher os materiais para fazer um que seja a sua cara. Conheça todas as linhas aqui.

Diário de Viagens

BodoquePara quem gosta de aventura e não quer perder nenhuma lembrança da experiência em outra cidade, país ou continente, o Diário de Viagens tem até opção vegana (feita em madeira em vez do couro). O mapa gravado na capa pode variar dependendo do destino é feito para ser marcado conforme o avançar das milhas do viajante…

Caderno do Artista

BodoqueUm artista reconhecido é convidado para criar uma ilustração que vai para a capa do caderno. Após realizada a impressão de apenas 15 cópias, ele ainda interfere (com uma técnica de sua preferência) sobre cada uma. Um caderno único com status de obra de arte.

Bodoque

Bodoque

Bodoque

Bodoque

O restauro dos materiais que sofrem com a interferência do tempo e o resgate de antigas técnicas é a parte palpável do ofício da Bodoque. A verdadeira arte talvez se encontre em um aspecto menos concreto, na preservação de uma singular forma de trabalho, que claramente diferencia o  apego aos bens da estima que podemos sentir por este simples objeto.

Para eles, um caderno jamais é apenas um caderno. Ele carrega tradições milenares e costumes essenciais aos seres humanos. Nas páginas vazias, cuidadosamente preparadas por tão jovens artesãos, encontramos sempre a tentadora promessa do novo, a singular possibilidade de ter, em mãos, parte da nossa existência.

“Independente do tema, das referências culturais, religiosas, dos diferentes núcleos familiares, das condições sociais e financeiras, das alegrias ou tristezas, das experiências de vida de cada indivíduo, quem escolhe nossos cadernos como receptáculo de suas ideias, certamente deposita sua verdade com todo seu coração, e encontra conforto ao perceber-se nas páginas de um caderno”.

 

Veja a reportagem feita quando conheci a Bodoque aqui e a matéria especial aqui.

Fotos (maravilhosas!): Nayana Mamede, Pedro Fonseca, Ash Aredes e Brenda Marques.

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6 de setembro de 2016

Cadernos ecológicos

MOLECO + OHOHLELE (4)

Lembro quando o papel reciclado costumava sofrer preconceito. Talvez pelos preços mais caros, pela textura, cor ou, especialmente, pela falta de consciência das pessoas sobre sua importância. Vai entender. Por sorte, isso mudou e os cadernos da Moleco estão aí desde 2008 para transmitir uma mensagem ecológica de maneira leve e moderna.

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Trio geométrico inspirado nas mentes matemáticas

Com inspiração que vai da Pop Arte à geometria, os caderninhos da marca são feitos com papel exclusivo acid free (fabricado com base alcalina, não perde as características visuais, nem se deteriora com o tempo)

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Moleco Eólica (tenho um igual!) <3

Um produto amigo do meio ambiente e “com qualidade que não deve em nada aos mais tradicionais cadernos e sketchbooks do mercado nacional e internacional, com preços competitivos e escolhas unicamente ecológicas”. É o que diz a marca. E é verdade! Ganhei meus primeiros Molecos de um amiga e até hoje tenho todos eles. Alguns, inclusive, estiveram comigo nos principais momentos da minha vida.

100% reciclável

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Não só os produtos, mas todos os processos utilizados pela Moleco também buscam reduzir o impacto ambiental. O papel é feito a partir das aparas limpas de papel e não com o papel da coleta seletiva. Utilizar a sobra da própria indústria garante “o controle da qualidade e reaproveitamento total dos recurso”.

Preservar os recursos naturais, minimizar a poluição e diminuir a quantidade de lixo que vai para os aterros são as premissas da marca, mas isso não significa ter produtos sem graça com cara de “usados”. Se você pensa assim dos reciclados, está na hora de rever seus conceitos e comprar logo um Moleco pra chamar de seu.

Pura delicadeza na linha Oh-Oh, Lelê!

Além das criações da equipe Moleco, algumas coleções são assinadas por designers e ilustradores. O bacana é que muitos Molecos também têm a capa lisa, para que os seus donos possam desenvolver a criatividade com suas próprias ilustrações. Eles são vendidos aqui em vários tamanhos (tem até de 6×8 cm ou 4×8 cm para ser usado como lembrancinha), em kits e com miolo liso, quadriculado ou pautado.

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As paixões do artista Jeff Skas viraram capas.

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Feito pra você

Sabe aquela máxima que diz: “o cliente tem sempre razão”? Na Moleco, o cliente é quem manda. Muitas linhas que hoje fazem o maior sucesso foram desenvolvidas a partir de ideias dadas pelos consumidores. Claro que as sugestões que chegam são todas avaliadas. Hoje, por exemplo, a empresa estuda a possibilidade de produzir cadernos pontilhados, usados como bullet journals. E há também a opção de personalizar a capa do jeito que você quiser.

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E o que encontraríamos na página do Moleco da Moleco?

“Recicle-se com Moleco! Mude, transforme-se, não tenha medo de se reinventar”.

Mais a cara da Moleco impossível. E a minha também!

MOLECO + OHOHLELE (7)

P.S. Este não é um publipost, tá? Pra começar o blog, decidi falar exclusivamente de coisas que realmente curto (não só produtos, mas artistas, comidas, séries…). Aqui vou sempre dividir e compartilhar as minhas preferências em tudo na vida. Bom deixar claro, né?

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