1 de outubro de 2017

Bolo saudável existe?

No tribunal da internet somos julgados o tempo todo pelo que postamos, compartilhamos, curtimos ou comentamos. Pelo que falamos, fazemos… e, principalmente, pelo que comemos.

Nunca antes na história tantas vertentes de alimentação foram extremamente disseminadas. Correntes contra ou a favor de um alimento. Verdadeiras seitas que abominam isso e vangloriam aquilo. Profissionais de saúde se tornaram influenciadores. Colecionam milhões de seguidores. Discípulos que acatam cegamente as dietas que veem no feed, almejam os corpos esculturais exibidos como se fossem certificados de competência e se espelham em estilos de vida que nem sempre se adequam à rotina dos meros mortais.

É muita informação para pouco discernimento.

Por sorte, uma turma contesta os modismos e combate os exageros. Foi num desses perfis que li a frase que precisava para entender o meu papel nisso tudo. Paola Altheia, nutricionista e autora do Não Sou Exposição, escreveu no post Eu preciso de vergonha na cara (leiam ele completo!) exatamente o seguinte:

O principal papel da alimentação na nossa vida deve ser, sim, nutrição e sustento. Mas não é só isso. Nunca será. Nós comemos por razões que vão muito além do fisiológico e é normal que seja assim. O papel de um bolo de aniversário não é alimentar ninguém. Ninguém mata fome com bolo. Mas ele é SAUDÁVEL porque envolve tradição, celebração, troca, felicidade.

Uma luz se acendeu em mim. Eu, que já havia sido criticada por utilizar açúcar num bolo ou por postar uma receita que leva muita manteiga, percebi as razões que me levaram a fazer o que faço hoje. Compartilhar delícias sem glúten não é incentivar o descuido com a saúde. É promover felicidade.

Eu tenho uma restrição alimentar. Não como glúten porque não tenho escolha. O único tratamento da doença celíaca é esse. Não foi nenhum guru da web que me disse para fazer isso. Tenho uma nutriconista que me orienta sobre o que devo ou não colocar à mesa – com base em aspectos muito além do que vejo no espelho, mas sei, por ter que deixar de lado uma série de hábitos em nome da minha sobrevivência, o quanto faz bem para a minha saúde comer um pedaço de bolo.

Eat Cake

Comer bolo é saudável, sim.

Minha saúde emocional agradece. Poder saborear um bolo (ou o que seja!) nos devolve uma alegria perdida com o diagnóstico. A sociedade não está preparada para conviver com celíacos. Os rótulos até indicam o que podemos ou não comer, mas as pessoas ainda estão longe de compreender a nossa condição. Sofremos também por que somos, automaticamente, excluídos de momentos em que a comida é a protagonista. E, convenhamos, culturalmente quase sempre ela é o centro de tudo.

Food quotes

Ninguém come bolo todo dia. Ou deveria comer. Se come, não cabe a nós dizer se está certo ou errado, não é mesmo?!

Ser saudável é fazer escolhas que condizem com a sua realidade. É entender quem você é, o que você precisa, o que te faz bem ou o que te faz mal. Infelizmente, parte da galera que adere a maioria das dietas não faz isso com consciência. Simplesmente segue o bando. Travestidos de “preocupação com a saúde” absurdos ainda mais danosos do que o inofensivo pedaço de bolo são cometidos. Os transtornos alimentares estão aí para comprovar isso.

Minha saúde compreende muito mais do que um protocolo alimentar. Envolve a satisfação de estar com amigos e poder compartilhar com eles o mesmo pedido no restaurante. Significa resgatar memórias de quando eu ainda comia glúten. É comer em paz sabendo que, se o meu maior inimigo não está presente, não tenho com o que sofrer.

Não digo para que depositemos todas as nossas angústias e frustrações na comida, mas que tenhamos uma relação mais harmoniosa com ela. Sem neuras. Sendo celíacos, já somos impedidos de tanta coisa. Que saibamos, então, valorizar os sabores que ainda podemos desfrutar. Especialmente se for o sabor de um delicioso bolo sem glúten.

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31 de agosto de 2017

Por que os produtos sem glúten são mais caros?

Continuando a entrevista com a Jacqueline Pante, da Schär (clique aqui para ler a primeira parte), chegamos a um tema que recentemente gerou polêmica entre os celíacos nas redes sociais: a doença celíaca é doença de rico? A dieta sem glúten é só pra quem tem grana?! Por que os produtos sem glúten são tão mais caros? Quando fiz a entrevista, o programa Zorra Total ainda não tinha encenado a esquete que reacendeu o debate. Assista!

O fato é que existem alimentos sem glúten mais acessíveis como o arroz e feijão, as frutas, verduras e legumes… O custo tende a aumentar quando falamos das farinhas substitutas, por exemplo, e outros produtos, como pães e biscoitos. Entenda as razões que explicam essa diferença e o trabalho que vem sendo feito para que ela não seja tão grande assim!

Jacqueline Pante trabalha no grupo Dr. Schär desde 1996. Ela foi responsável pela criação do departamento “Serviços de Nutrição”, que coordena projetos  relacionados aos profissionais de saúde, instituto de pesquisa, entre outros. Jacqueline é diretora deste departamento e também responsável pela área de comunicação corporativa.

As pessoas ainda se queixam dos valores cobrados pelos produtos sem glúten em comparação aos convencionais. O que explica a diferença de preço?

Alimentos restritivos são mais caros de uma maneira geral por vários fatores. Dois fundamentais são a economia de escala – alimentos convencionais têm um mercado até 100 vezes maior do que o da restrição alimentar; e o custo dos ingredientes: para se obter um produto de alto padrão de qualidade e seguro é necessária a substituição de um ingrediente (no caso da alimentação sem glúten, a substituição do trigo, centeio, cevada ou aveia*) por diversos outros que, combinados, permitirão o resultado similar – em sabor e textura – dos produtos ditos convencionais. Além disso, o custo destes ingredientes substitutos é, na maioria das vezes, mais alto do que o dos ingredientes convencionais.

No caso da Dr. Schär, além de retirar o glúten, também não usamos nenhum tipo de ingrediente transgênico, assim como oferecemos produtos com alto valor nutricional, e por isso trabalhamos com matéria prima diferenciada, como farinha de grãos de guar, trigo sarraceno, farinha de teff, dentre outros. Além disso, não usamos aditivos artificiais, então nosso produto tem muita tecnologia embarcada – oferecemos confortáveis prazos de validade sem uso de conservantes artificiais. Isso é tecnologia de produção e envase!

Outro fator que influencia o preço do produto é a falta de políticas públicas e incentivos para produtos de restrição alimentar. Recentemente tivemos um caso, em Santa Catarina, onde a leitura tributária indicou que produtos sem glúten não podem ser considerados itens de consumo popular (como se uma restrição alimentar escolhesse classe social) e que, portanto, não podem se beneficiar das mesmas bases legais que um pão tradicional poderia. É incoerente!

Outra questão é a visão do varejo: trabalhamos fortemente junto aos nossos parceiros para que percebam que a formação de preço deste item não deve seguir a categoria de “especiais”, onde a margem é mais alta, mas sim seguir a margem dos itens de maior giro, onde a margem é menor e, portanto, torna os custos mais acessíveis. Importante ressaltar que, desde 2012, quando iniciamos nossa operação no Brasil, o varejo tradicional (supermercados) tem crescido sua oferta de itens sem glúten, criando uma seção dedicada que permite ao consumidor encontrar sua solução completa num único espaço, assegurando uma excelente experiência de compra. Isso é o que vemos na Europa, um mercado inclusivo, onde todos os clientes encontram suas soluções. O Brasil vem avançando neste caminho.

Um ponto a evoluir é a questão da certificação, que impacta também no custo, mas que garante segurança. Em qualquer lugar do mundo, para oferecer um produto sem glúten, o fabricante deve comprovar a isenção da proteína. No Brasil, atualmente, não é necessário ao fabricante apresentar testes de isenção de glúten quando afirma que seus produtos “não contém glúten”. A Schär, em todas as suas unidades produtivas, possui laboratórios de teste de matéria prima e produto acabado, que garante 100% de segurança de isenção de glúten nos seus produtos.

NOVIDADES

Ainda sobre os produtos da Schär, podemos esperar novidades?

Hoops - Schar

A Schär Brasil está sempre atenta às necessidades do mercado nacional e costuma trazer novidades frequentemente, ampliando sua linha de produtos e atendendo o consumidor de maneira ainda mais completa. Nos últimos 8 meses lançamos no Brasil 8 novos produtos nas categorias de biscoitos salgados e doces, além da linha de pratos prontos congelados – Pizza Margherita, Pizza Salame e Lasanha à bolonhesa, que representam uma nova geração de produtos sem glúten, aliando conveniência e praticidade com sabor e saúde. A Schär trabalha de maneira muito dinâmica para atender o consumidor brasileiro e busca continuamente ampliar a linha de produtos.

Novidades Schar

Gostaria de agradecer mais uma vez pela entrevista e parceria, Schär! É um prazer estar mais próxima de uma empresa que, desde que descobri a doença celíaca, sou cliente real/oficial.

E vocês, já experimentaram as novidades da Schär? Que tal um Celíaca Experimenta pra testar os produtos, hein?! Se inscrevam no meu canal… que vem coisa gostosa aí.

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